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A histeroscopia cirúrgica é um procedimento minimamente invasivo que trata alterações dentro do útero — como pólipos, miomas submucosos, aderências e septos — usando um aparelho fino com câmera introduzido pela vagina, sem cortes na barriga. É feita sob anestesia e permite ao ginecologista ver e remover a lesão no mesmo ato. Este guia explica, em linguagem clara, o que é a histeroscopia cirúrgica, quando é indicada, como é feita, se dói, o preparo e como é a recuperação.
O que é histeroscopia cirúrgica
A histeroscopia cirúrgica é a versão terapêutica da histeroscopia: além de olhar dentro do útero, ela trata o que encontra. Enquanto a histeroscopia diagnóstica apenas inspeciona a cavidade uterina e, quando muito, colhe uma pequena amostra, a cirúrgica usa instrumentos que cortam, raspam ou cauterizam para remover a lesão de vez.
O aparelho principal é o ressectoscópio, um histeroscópio mais robusto que carrega uma alça elétrica (ou instrumentos mecânicos) capaz de ressecar tecido. Ele entra pela vagina, passa pelo colo do útero e chega à cavidade uterina — o mesmo caminho natural que o exame diagnóstico percorre. Por isso não há cortes na pele nem cicatrizes: tudo acontece pelo canal vaginal.
É importante entender que “histeroscopia cirúrgica” não é uma doença nem um diagnóstico, e sim uma técnica de tratamento. O nome do procedimento muda conforme o que se remove: polipectomia histeroscópica (retirada de pólipo), miomectomia histeroscópica (retirada de mioma submucoso), metroplastia (correção de septo uterino), lise de sinéquias (desfazer aderências) e ablação endometrial (destruir o endométrio para reduzir sangramentos).
Diferença entre histeroscopia diagnóstica e cirúrgica
Muita gente confunde os dois exames porque o nome e o caminho são parecidos. A diferença está no objetivo, no aparelho e na anestesia. A tabela abaixo resume:
| Aspecto | Histeroscopia diagnóstica | Histeroscopia cirúrgica |
|---|---|---|
| Objetivo | Ver e investigar a cavidade uterina | Tratar/remover a lesão encontrada |
| Aparelho | Histeroscópio fino (3–5 mm) | Ressectoscópio, mais calibroso, com alça de corte |
| Anestesia | Muitas vezes sem anestesia ou sedação leve | Sedação com bloqueio, raqui ou anestesia geral |
| Dilatação do colo | Geralmente dispensa | Costuma exigir dilatação |
| Local | Consultório ou ambulatório | Centro cirúrgico / bloco |
| Duração | 5 a 15 minutos | 30 a 60 minutos |
| Recuperação | Imediata, retorno no mesmo dia | Alta no mesmo dia, repouso de alguns dias |
Na prática, muitas mulheres fazem primeiro a histeroscopia diagnóstica, que aponta a alteração, e depois a cirúrgica, que a resolve. Se você ainda não entendeu bem a versão exploratória, vale ler antes o guia sobre a histeroscopia diagnóstica, que explica passo a passo o exame de investigação.
Quando a histeroscopia cirúrgica é indicada
O ginecologista indica a histeroscopia cirúrgica quando já sabe qual é a alteração dentro do útero e ela pode ser tratada por essa via. As indicações mais comuns são:
- Pólipos endometriais: o motivo mais frequente. A polipectomia histeroscópica remove o pólipo endometrial inteiro, com baixa chance de retorno.
- Miomas submucosos: miomas que crescem para dentro da cavidade e causam sangramento intenso. A miomectomia histeroscópica trata o mioma uterino submucoso sem abrir a barriga.
- Aderências uterinas (sinéquias / síndrome de Asherman): faixas de cicatriz que colam as paredes do útero, muitas vezes ligadas à infertilidade e à falta de menstruação.
- Septo uterino: uma “parede” congênita que divide a cavidade e se associa a abortos de repetição; é corrigida pela metroplastia.
- Sangramento uterino anormal e endométrio espessado: a ablação endometrial reduz ou elimina menstruações muito volumosas em mulheres que não desejam mais engravidar.
- DIU sem fios visíveis ou restos de material após parto ou aborto.
Em casos de hiperplasia endometrial ou suspeita de lesão pré-maligna, o procedimento também permite dirigir a coleta de tecido para análise, algo que complementa a biópsia endometrial feita às cegas.
Como é feita a histeroscopia cirúrgica
A histeroscopia cirúrgica é feita em centro cirúrgico, com a paciente em posição ginecológica e já sob anestesia. O passo a passo costuma ser assim:
- Anestesia: aplicada conforme o porte do procedimento — pode ser sedação com bloqueio, raquianestesia ou anestesia geral. O anestesista define a melhor opção na avaliação pré-operatória.
- Dilatação do colo: como o ressectoscópio é mais grosso que o histeroscópio diagnóstico, o médico costuma dilatar suavemente o colo do útero para permitir a passagem.
- Distensão da cavidade: um meio líquido (soro fisiológico ou soluções específicas) é injetado para “abrir” o útero e criar espaço de trabalho, deixando a imagem nítida na tela.
- Tratamento da lesão: com o útero distendido, o cirurgião usa a alça do ressectoscópio (ou instrumentos mecânicos) para cortar, raspar ou cauterizar o pólipo, o mioma, a aderência ou o septo, sempre acompanhando por vídeo.
- Encerramento: removidos os instrumentos, não há cortes externos nem pontos. O procedimento dura, em média, de 30 minutos a 1 hora.
Não há incisões na pele: todo o trabalho é feito pelo canal vaginal. Por isso a histeroscopia cirúrgica é considerada minimamente invasiva e tem recuperação bem mais rápida que uma cirurgia aberta.
A histeroscopia cirúrgica dói?
Durante a histeroscopia cirúrgica a mulher não sente dor, porque o procedimento é feito sob anestesia. O desconforto aparece depois, quando o efeito anestésico passa, e costuma ser parecido com uma cólica menstrual de leve a moderada. A maioria das pacientes controla esse incômodo com analgésicos comuns prescritos pelo médico.
Diferente da histeroscopia diagnóstica — que muitas vezes é feita sem anestesia e pode causar cólica no momento do exame —, a versão cirúrgica anestesia a paciente justamente porque envolve dilatação do colo e manipulação maior dentro do útero. Sentir cólicas leves e um pouco de sensibilidade no baixo-ventre nos primeiros dias é esperado e não é motivo de preocupação.
Preparo para a histeroscopia cirúrgica
O preparo é simples, mas alguns cuidados são importantes por envolver anestesia:
- Jejum: em geral de 8 horas antes, conforme orientação da equipe.
- Exames pré-operatórios: exames de sangue e avaliação com o anestesista podem ser solicitados.
- Preparo do colo: em alguns casos, o médico prescreve um medicamento (como o misoprostol) para amolecer o colo do útero na noite anterior, facilitando a dilatação.
- Medicações de uso contínuo: avise o médico sobre anticoagulantes e outros remédios; alguns precisam ser ajustados antes.
- Acompanhante: como há sedação/anestesia, você não poderá dirigir na volta — organize alguém para acompanhá-la.
O melhor período para o procedimento costuma ser logo após o fim da menstruação, quando o endométrio está mais fino e a visualização é melhor.
Como é a recuperação
A recuperação da histeroscopia cirúrgica é rápida na maioria dos casos. Depois de acordar da anestesia, a mulher fica em observação por algumas horas e costuma receber alta no mesmo dia; internação por 24 horas é exceção. Veja o que esperar na linha do tempo típica:
- Primeiras 24 horas: sonolência residual da anestesia, cólicas leves e pequeno sangramento. Repouso em casa.
- Até 3 dias: cólicas e sangramento tipo borra de café tendem a diminuir. Muitas mulheres já retomam atividades leves.
- Até 7 dias: evitar esforço físico intenso, natação, banho de imersão e uso de absorvente interno. Retorno ao trabalho, em atividades não pesadas, costuma ser possível em poucos dias.
- 7 a 14 dias: abstinência sexual nesse período, conforme orientação médica, para reduzir risco de infecção.
- Menstruação: o próximo ciclo pode vir um pouco adiantado ou atrasado; pequenos sangramentos até a menstruação seguinte são comuns.
O tempo exato de repouso depende do que foi feito: uma polipectomia simples recupera mais rápido que a retirada de um mioma grande.
Riscos e contraindicações
A histeroscopia cirúrgica é um procedimento seguro, mas, como toda cirurgia, tem riscos. Entre os possíveis (e raros) estão perfuração do útero, infecção, sangramento mais intenso e a chamada síndrome de intravasação — absorção excessiva do líquido de distensão, que a equipe monitora durante todo o ato. O procedimento não é indicado na gravidez, em infecção pélvica ativa ou em câncer de colo do útero já confirmado. Diretrizes internacionais, como as do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), reforçam que a histeroscopia é um método seguro e eficaz para diagnosticar e tratar alterações intrauterinas.
Procure atendimento se, após o procedimento, você tiver febre, sangramento vaginal muito intenso (encharcando absorventes em pouco tempo), dor forte que não melhora com analgésico ou corrimento com mau cheiro. Esses são sinais de alerta que merecem avaliação médica imediata.
Cobertura: SUS, plano de saúde e particular
A histeroscopia cirúrgica está prevista tanto no SUS quanto no rol de procedimentos da ANS, o que significa que os planos de saúde são obrigados a cobri-la quando há indicação médica. Na rede pública, o acesso passa pelo encaminhamento do ginecologista e pode envolver fila de espera. No particular, o valor varia conforme o hospital, a equipe e o tipo de anestesia. Em todos os casos, o ponto de partida é a consulta com o ginecologista, que confirma a indicação e emite o pedido cirúrgico.
Perguntas frequentes sobre histeroscopia cirúrgica
Histeroscopia cirúrgica precisa de anestesia geral?
Nem sempre. A anestesia pode ser sedação com bloqueio, raquianestesia ou geral, dependendo do porte do procedimento e da avaliação do anestesista. Procedimentos rápidos podem exigir apenas sedação.
Quanto tempo dura a histeroscopia cirúrgica?
Em média, de 30 minutos a 1 hora, variando conforme a lesão a ser tratada. Uma polipectomia simples é mais rápida; a retirada de um mioma maior leva mais tempo.
Preciso ficar internada?
Na maioria dos casos, não. A alta costuma acontecer no mesmo dia, algumas horas após o procedimento. Internação por até 24 horas é reservada a casos específicos.
Quando posso ter relações sexuais depois?
Recomenda-se abstinência sexual por cerca de 7 a 14 dias, conforme a orientação do seu médico, para reduzir o risco de infecção enquanto o útero cicatriza.
O sangramento depois é normal?
Sim. Um sangramento leve, tipo borra de café, por alguns dias a poucas semanas é esperado. Sangramento intenso, com coágulos grandes, febre ou dor forte não é normal e exige avaliação.
A histeroscopia cirúrgica atrapalha uma futura gravidez?
Ao contrário: em muitos casos ela melhora a fertilidade, porque remove pólipos, miomas submucosos, aderências ou septos que dificultavam a gravidez. A ablação endometrial é a exceção, pois é indicada para quem não deseja mais engravidar.
Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta com um ginecologista. Diante de sintomas ou de uma indicação cirúrgica, procure um profissional de saúde de confiança para avaliação individual.

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