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A prasterona vaginal (nome comercial Intrarosa) é um óvulo, ou inserto, de DHEA usado para tratar a atrofia vulvovaginal e a dor na relação sexual (dispareunia) da menopausa. Aplicada dentro da vagina uma vez ao dia, ela é convertida em pequenas quantidades de estrogênio e de androgênio dentro da própria parede vaginal — engrossando a mucosa, devolvendo elasticidade e lubrificação — sem elevar os níveis hormonais no sangue de forma significativa. É, portanto, uma opção de tratamento local para quem sofre com a secura e a dor íntima, mas prefere ou precisa evitar reposição hormonal no corpo inteiro.

Se você chegou aqui pesquisando “prasterona para que serve”, “DHEA vaginal”, “Intrarosa bula” ou “óvulo para secura vaginal na menopausa”, este guia explica de forma direta o que é a prasterona, como ela age, se realmente resolve a dor na relação, a dose certa, os efeitos colaterais, as contraindicações, como ela se compara ao estrogênio vaginal e ao ospemifeno — e, com honestidade, se a prasterona já está disponível no Brasil.

O que é a prasterona (DHEA) vaginal e para que serve

A prasterona é o nome farmacêutico da DHEA (deidroepiandrosterona), um hormônio precursor que o próprio corpo produz naturalmente nas glândulas suprarrenais e nos ovários. Depois da menopausa, a produção de DHEA e de estrogênio cai bastante, e os tecidos da vulva e da vagina ficam mais finos, secos e frágeis — um quadro que os médicos chamam de atrofia vulvovaginal ou, de forma mais ampla, síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

A versão em medicamento, vendida como Intrarosa, é um inserto vaginal de 6,5 mg de prasterona. Ela é aprovada por agências como a FDA (Estados Unidos) e a EMA (Europa) para uma indicação específica: tratar a dispareunia — a dor durante o sexo — moderada a grave causada pela atrofia da menopausa. Na prática, também melhora a secura, o ardor e o desconforto do dia a dia, porque age na mesma causa: a mucosa vaginal enfraquecida pela falta de hormônio.

O ponto que distingue a prasterona das outras opções é que ela não é estrogênio puro. Ela é um precursor que os próprios tecidos convertem no que precisam — parte em estrogênio, parte em androgênio (o “lado da testosterona”). Esse detalhe importa para quem busca também melhora do desejo e da lubrificação, temas que trataremos adiante.

Como a prasterona vaginal age (a lógica da “intracrinologia”)

O mecanismo da prasterona se apoia em um conceito chamado intracrinologia. Em vez de despejar hormônio pronto na corrente sanguínea, o inserto entrega DHEA diretamente na parede vaginal, e são as próprias células locais que transformam essa DHEA em estrogênio e androgênio, na medida em que precisam, ali mesmo, sem “vazar” para o resto do corpo.

O resultado prático é o que os estudos de segurança mostram: as concentrações de esteroides no sangue permanecem dentro da faixa normal esperada para uma mulher na pós-menopausa. Ou seja, a prasterona atua onde o problema está — na atrofia vaginal — sem se comportar como uma reposição hormonal sistêmica. É esse perfil “local, não sistêmico” que a torna atraente para mulheres com receio de hormônio no corpo inteiro.

Com o uso contínuo, a mucosa vaginal engrossa, o pH vaginal se normaliza e a lubrificação natural melhora, reduzindo o atrito que causa a dispareunia.

Dose e como usar o inserto vaginal

A dose é simples e única: um inserto de 6,5 mg de prasterona, aplicado dentro da vagina uma vez ao dia, de preferência à noite, na hora de deitar. O produto vem com um aplicador descartável.

O passo a passo básico é:

  1. Lavar as mãos antes de começar.
  2. Colocar o inserto no aplicador (nas apresentações que exigem esse passo).
  3. Introduzir o aplicador delicadamente na vagina, deitada ou de pé com um joelho dobrado, e pressionar o êmbolo para liberar o inserto.
  4. Descartar o aplicador de uso único e lavar as mãos novamente.

Aplicar à noite reduz a chance de o produto derreter e escorrer ao longo do dia — daí a orientação de usar antes de dormir. O tratamento é de uso contínuo: assim que a mulher para, os sintomas da atrofia tendem a voltar, porque a causa (a falta de hormônio local) continua ali. Nada disso substitui a avaliação de um ginecologista, que deve confirmar o diagnóstico e a indicação.

A prasterona vaginal funciona mesmo? O que dizem os estudos

Aqui entra a parte que os sites comerciais costumam omitir. Os ensaios clínicos mostram que a prasterona é superior ao placebo para reduzir a dispareunia e a secura e para melhorar índices objetivos da mucosa (espessura das células e pH vaginal). Uma análise de função sexual também apontou ganhos em desejo, excitação, lubrificação e satisfação em comparação ao placebo.

Ao mesmo tempo, revisões independentes pedem calma na leitura desses números. A revisão STEPS da American Family Physician (AAFP) resume que a melhora da dispareunia com a prasterona foi de cerca de 0,36 a 0,40 ponto a mais que o placebo em uma escala de 0 a 3 — um efeito estatisticamente significativo, mas de magnitude modesta, cuja relevância clínica no dia a dia ainda é discutida. Para a secura e a coceira isoladas, o benefício foi parecido com o de lubrificantes vaginais comuns.

A tradução honesta: a prasterona ajuda, especialmente na dor da relação, mas não é uma solução milagrosa. Ela é uma boa alternativa dentro de um leque de opções, e não necessariamente superior ao estrogênio vaginal ou a bons hidratantes — o que reforça por que a escolha deve ser individualizada com o médico.

Efeitos colaterais e segurança

A prasterona é, no geral, bem tolerada, justamente porque age localmente. Os pontos a conhecer são:

  • Corrimento vaginal: é o efeito colateral mais comum, relatado em cerca de 2,7% das usuárias (contra 1,3% no placebo). Costuma ser leve e ligado à própria base oleosa do inserto que derrete.
  • Papanicolau alterado: em um estudo de 52 semanas, 2,1% das mulheres tiveram um Papanicolau com células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS) — um índice parecido com o de mulheres pós-menopausa que não usam o produto. Vale saber disso para não se assustar caso apareça, mas o achado exige acompanhamento normal.
  • Segurança do endométrio: os estudos não mostraram hiperplasia nem câncer de endométrio ao longo de 12 meses de uso, um ponto tranquilizador.

A prasterona não deve ser usada por quem tem sangramento genital não diagnosticado — qualquer sangramento após a menopausa precisa ser investigado antes. E há um vazio importante de dados: a prasterona não foi estudada em mulheres com histórico de câncer de mama, nem em gestantes ou lactantes (não faz sentido nesse público, já que é um tratamento da pós-menopausa). Por isso, em quem teve câncer de mama, a decisão precisa ser individual, conversada com o oncologista e o ginecologista.

Prasterona vaginal x estrogênio vaginal x ospemifeno

Existem três caminhos “que agem na causa” da atrofia. Entender a diferença ajuda a conversar melhor com o médico:

Opção Via Como age Ponto forte
Prasterona (Intrarosa) Óvulo/inserto vaginal, 1x/dia DHEA convertida em estrogênio e androgênio localmente Não sobe hormônio no sangue; leve efeito androgênico
Estrogênio vaginal (estriol, promestrieno) Creme/óvulo vaginal, poucas vezes/semana Repõe estrogênio direto na mucosa Padrão-ouro, barato, muito estudado, uso menos frequente
Ospemifeno (Osphena/Senshio) Comprimido oral, 1x/dia SERM que age como estrogênio na vagina Não é creme; para quem não quer aplicação local

Não há um vencedor absoluto: o estrogênio vaginal costuma ser a primeira escolha por ser barato e muito conhecido; a prasterona atrai pelo perfil não sistêmico e pelo componente androgênico; e o ospemifeno resolve para quem prefere um comprimido a uma aplicação vaginal. Tudo isso se encaixa em um quadro maior de cuidado da mulher no climatério, que pode ou não incluir terapia de reposição hormonal sistêmica dependendo dos sintomas.

Tem prasterona (Intrarosa) no Brasil?

Esta é a pergunta mais frustrante de responder com sinceridade: a prasterona vaginal (Intrarosa) não é um produto de venda simples e ampla no Brasil. Ele existe e é aprovado no exterior, e chega ao país sobretudo por importadoras de medicamentos de alta complexidade, sob prescrição e com custo elevado (a referência internacional gira em torno de US$210 por mês de tratamento).

Um alerta importante: a DHEA vendida como suplemento oral, em cápsulas, não é a mesma coisa e não substitui a prasterona vaginal. O suplemento oral não tem a entrega local nem a comprovação de eficácia para a atrofia, e o uso por conta própria de hormônios não é recomendado. Se o seu caso é de secura e dor na relação, o melhor caminho continua sendo procurar um ginecologista: na maioria das situações, o estrogênio vaginal resolve bem, é acessível e está disponível no Brasil, ficando a prasterona como alternativa para casos específicos.

Perguntas frequentes sobre a prasterona vaginal

Para que serve a prasterona vaginal (Intrarosa)?

Serve para tratar a atrofia vulvovaginal da menopausa e, em especial, a dispareunia (dor na relação sexual) moderada a grave. Também melhora a secura, o ardor e o desconforto íntimo causados pela queda hormonal.

Prasterona é hormônio? Faz mal?

A prasterona (DHEA) é um precursor de hormônios. Aplicada na vagina, é convertida localmente em estrogênio e androgênio sem elevar de forma significativa os hormônios no sangue. É considerada bem tolerada, com corrimento vaginal como efeito mais comum; ainda assim, exige receita e acompanhamento médico.

Qual a diferença entre prasterona vaginal e estrogênio vaginal?

O estrogênio vaginal repõe estrogênio pronto na mucosa. A prasterona entrega DHEA, que a própria parede vaginal converte em estrogênio e também em androgênio. Na prática, os dois tratam a atrofia com boa segurança local; o estrogênio vaginal costuma ser a primeira escolha por ser mais barato e mais estudado.

Prasterona vaginal engorda ou aumenta o estrogênio no sangue?

Não há evidência de que engorde, e os estudos mostram que os níveis de esteroides no sangue permanecem na faixa normal da pós-menopausa. O efeito é predominantemente local, na parede vaginal.

Quem teve câncer de mama pode usar prasterona vaginal?

A prasterona não foi estudada em mulheres com histórico de câncer de mama, então não há uma resposta padronizada. A decisão precisa ser individual, discutida com o oncologista e o ginecologista, pesando riscos e alternativas.

Em quanto tempo a prasterona faz efeito?

Os estudos avaliaram melhora ao longo de semanas de uso contínuo (tipicamente 12 semanas). É um tratamento de manutenção: interrompendo, os sintomas da atrofia tendem a voltar.

Tem prasterona/Intrarosa no Brasil? Precisa de receita?

Não é de venda ampla no Brasil; costuma chegar por importação, sob prescrição e com custo alto. A DHEA em cápsula oral vendida como suplemento não substitui o inserto vaginal. Converse com um ginecologista sobre as opções disponíveis, começando geralmente pelo estrogênio vaginal.

Conclusão

A prasterona vaginal (Intrarosa) é uma alternativa local e não sistêmica para a atrofia e a dor na relação da menopausa, com um diferencial interessante: além de estrogênio, gera androgênio na própria parede vaginal. Funciona melhor que o placebo, sobretudo na dispareunia, mas com um ganho de magnitude modesta e resultado comparável ao do estrogênio vaginal — que segue sendo a opção mais acessível e disponível no Brasil. A escolha entre prasterona, estrogênio vaginal e ospemifeno é individual e deve ser feita com o ginecologista, que confirma o diagnóstico, avalia contraindicações e ajusta o tratamento ao seu caso.