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A histeroscopia é um exame que permite ao ginecologista ver o interior do útero por dentro. Um tubo fino com uma microcâmera na ponta, chamado histeroscópio, é introduzido pela vagina e pelo colo do útero até a cavidade uterina, mostrando em tempo real pólipos, miomas, sangramentos e outras alterações. Este guia explica, em linguagem clara, o que é a histeroscopia, para que serve, como é feita, se dói, como se preparar e como é a recuperação.

O que é histeroscopia

A histeroscopia é o exame padrão-ouro para avaliar a cavidade uterina — ou seja, o espaço interno do útero e o revestimento que o forra (o endométrio). Enquanto o ultrassom transvaginal olha o útero “de fora”, através das paredes, a histeroscopia coloca a câmera dentro dele. Isso permite enxergar diretamente uma lesão, medir seu tamanho e, muitas vezes, colher uma amostra ou até removê-la no mesmo procedimento.

Por usar uma microcâmera que transmite imagem em vídeo, o procedimento também é chamado de videohisteroscopia. O aparelho é fino (em geral entre 3 e 5 mm de diâmetro) e emite luz, e para abrir a cavidade uterina o médico injeta um meio de distensão — normalmente soro fisiológico (líquido) ou gás carbônico.

Para que serve a histeroscopia

O exame serve para investigar sintomas e alterações que o ultrassom aponta mas não explica por completo. É um dos exames mais precisos da ginecologia porque mostra a lesão diretamente. Entre as principais indicações estão:

Histeroscopia diagnóstica e histeroscopia cirúrgica

Existem dois tipos de histeroscopia, e é comum confundi-los. A diferença está no objetivo: uma vê, a outra trata.

Aspecto Histeroscopia diagnóstica Histeroscopia cirúrgica
Objetivo Visualizar e diagnosticar Tratar / remover a lesão
Onde é feita Consultório ou clínica Centro cirúrgico
Anestesia Sem anestesia ou local Sedação ou raqui/geral
Duração 5 a 15 minutos 20 a 60 minutos
Exemplos Ver pólipo, colher biópsia Retirar pólipo, mioma ou septo

Na prática, muitas vezes a diagnóstica já identifica o problema e uma segunda sessão, agora cirúrgica, é agendada para resolvê-lo. Em serviços mais equipados, pequenas lesões podem ser tratadas na mesma sessão — o chamado “see and treat” (ver e tratar).

Como é feita a histeroscopia

A histeroscopia diagnóstica é feita com a mulher em posição ginecológica, como em um exame de rotina. O passo a passo costuma ser:

  1. O médico introduz o histeroscópio pela vagina e pelo colo do útero, sem precisar de cortes.
  2. O meio de distensão (soro ou gás) expande a cavidade uterina, criando espaço para a câmera enxergar.
  3. A imagem aparece em tempo real em um monitor, e o médico examina todo o interior do útero e a saída das trompas.
  4. Se encontrar algo suspeito, pode fazer uma biópsia do endométrio, coletando uma amostra para o laboratório.
  5. O aparelho é retirado suavemente e o exame termina.

Uma técnica moderna, a vaginoscopia ou histeroscopia “no-touch”, dispensa o espéculo e a pinça no colo do útero, o que reduz bastante o desconforto. Vale perguntar ao seu médico se o serviço oferece essa abordagem.

Histeroscopia dói?

O exame pode causar um desconforto parecido com uma cólica menstrual, mas na maioria dos casos é bem tolerado e rápido. A intensidade varia de mulher para mulher e depende de fatores como já ter tido parto normal (o colo do útero costuma ser mais “aberto”), a fase da menopausa e a técnica usada.

Para dar mais conforto, o médico pode indicar um analgésico ou anti-inflamatório cerca de uma hora antes, aplicar anestesia local no colo do útero ou, em casos selecionados, realizar o exame com sedação leve. Se você tem baixa tolerância à dor ou nunca teve parto normal, converse com o ginecologista sobre a opção de sedação antes do dia.

Preparo para a histeroscopia

O preparo da histeroscopia é simples e não exige internação nem jejum prolongado na versão diagnóstica. Os cuidados principais são:

  • Marcar na fase certa do ciclo — o ideal é fazer logo após o fim da menstruação, geralmente entre o 8º e o 12º dia, quando o endométrio está fino e a visualização é melhor.
  • Não estar menstruada no dia do exame.
  • Evitar relações sexuais por cerca de 48 a 72 horas antes.
  • Não usar cremes ou duchas vaginais nas 48 horas anteriores.
  • Tratar antes qualquer infecção vaginal — corrimento ou infecção contraindicam o exame naquele momento.
  • Avisar se houver suspeita de gravidez — gestação é contraindicação.

Leve seus exames anteriores (ultrassom, laudos) e chegue com tempo. Se for usar sedação, siga as orientações de jejum passadas pela clínica e leve um acompanhante.

Recuperação: o que é normal depois do exame

A recuperação da histeroscopia diagnóstica é rápida, e a maioria das mulheres volta às atividades no mesmo dia. É normal sentir, por um a três dias:

  • Cólica leve, parecida com a menstrual;
  • Sangramento discreto ou borra marrom;
  • Sensação de peso na região baixa da barriga.

Nesse período, use absorvente em vez de absorvente interno e evite relação sexual até o sangramento parar (em média, alguns dias — siga a orientação do seu médico). Quem fez com sedação não deve dirigir no mesmo dia. Se a histeroscopia foi cirúrgica, o repouso e o tempo até a liberação para relações podem ser maiores, conforme o procedimento.

Sinais de alerta: quando procurar o médico

Procure atendimento se, após a histeroscopia, você tiver: febre acima de 38 °C, sangramento intenso (encharcando um absorvente por hora), dor forte que não melhora com analgésico, corrimento com mau cheiro ou calafrios. Esses sinais são incomuns, mas podem indicar infecção e merecem avaliação.

Histeroscopia, ultrassom ou biópsia às cegas?

Cada exame tem seu papel, e muitas vezes eles se complementam:

Exame O que faz Vantagem
Ultrassom transvaginal Mede o endométrio e vê o útero por fora Não invasivo, primeiro passo
Biópsia às cegas Colhe amostra sem ver a lesão Rápida, mas pode “errar” uma lesão pequena
Histeroscopia Vê a cavidade por dentro Enxerga a lesão e biopsia no alvo

Por isso, quando o ultrassom mostra uma alteração localizada — como um pólipo — a histeroscopia costuma ser preferida: ela vê exatamente onde colher a amostra ou o que remover.

Preço e cobertura: SUS, plano e particular

A histeroscopia é um procedimento coberto pelo SUS e pelos planos de saúde quando há indicação médica. Na rede pública, o acesso depende do encaminhamento e da fila do serviço de referência da sua região. Nos planos, o exame consta no rol da ANS e é autorizado mediante pedido do ginecologista. No particular, o valor varia conforme a cidade, o serviço e se há biópsia ou sedação — vale pedir orçamento em mais de um lugar.

Perguntas frequentes sobre histeroscopia

O exame dói muito?

Na maioria dos casos, não. O desconforto é semelhante ao de uma cólica menstrual e passa rápido. Analgésico prévio, anestesia local ou sedação ajudam quem tem mais sensibilidade.

Precisa de anestesia para fazer histeroscopia?

Nem sempre. A histeroscopia diagnóstica costuma ser feita sem anestesia ou com anestesia local. A sedação fica para casos selecionados ou para a versão cirúrgica.

Quanto tempo dura a histeroscopia?

A diagnóstica dura, em média, de 5 a 15 minutos. A cirúrgica pode levar de 20 a 60 minutos, dependendo do que precisa ser tratado.

Posso trabalhar no mesmo dia?

Sim, na maioria das vezes a histeroscopia diagnóstica permite retomar as atividades no mesmo dia. Se você fez com sedação, descanse e não dirija naquele dia.

É normal sangrar depois da histeroscopia?

Sim. Um sangramento leve ou borra por alguns dias é esperado. Sangramento intenso, febre ou dor forte, não — nesses casos, procure o médico.

A histeroscopia detecta câncer?

Ela ajuda a identificar áreas suspeitas e a colher a biópsia no local certo. O diagnóstico de câncer só é confirmado pela análise do tecido no laboratório (histopatológico).

Qual a diferença entre histeroscopia e ultrassom?

O ultrassom vê o útero de fora, através das paredes; a histeroscopia coloca a câmera dentro do útero e enxerga a lesão diretamente, permitindo biópsia dirigida.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um ginecologista. Diante de sangramentos anormais ou de um pedido de histeroscopia, procure orientação médica. Referência: Ministério da Saúde / FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.