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O câncer de endométrio é um tumor maligno que se origina no endométrio, a camada que reveste o interior do útero. É o câncer ginecológico mais comum no Brasil e afeta principalmente mulheres após a menopausa. Seu principal sinal de alerta é o sangramento vaginal anormal — especialmente qualquer sangramento depois da menopausa —, e a boa notícia é que, quando descoberto cedo, tem altas chances de cura. Este guia explica, em linguagem simples, o que é a doença, quais são os sintomas, como ela é diagnosticada, o que significam os estágios e como é o tratamento.

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um ginecologista ou oncologista. Qualquer sangramento após a menopausa, ou sangramento uterino fora do padrão, precisa de avaliação médica — não é normal e deve ser investigado o quanto antes.

O que é câncer de endométrio

O útero tem duas camadas principais: o miométrio, formado por músculo, e o endométrio, a mucosa que reveste a cavidade por dentro e que descama a cada menstruação. O câncer de endométrio surge quando as células desse revestimento sofrem mutações e passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor maligno.

Ele é o tipo mais frequente de câncer do corpo do útero e o câncer ginecológico mais comum em países como o Brasil. A maior parte dos casos acontece após a menopausa, entre os 60 e os 70 anos, mas mulheres mais jovens — sobretudo as que têm obesidade, síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou anovulação crônica — também podem desenvolver a doença.

É importante não confundir esse tumor com o câncer de colo do útero: são doenças diferentes, com causas diferentes. O câncer de colo está ligado ao vírus HPV e é rastreado pelo papanicolau; já o tumor endometrial se relaciona principalmente ao excesso de estrogênio e não é detectado pelo papanicolau.

Câncer de endométrio e câncer de útero são a mesma coisa?

Quase. “Câncer de útero” é um termo amplo que inclui os tumores do corpo do útero (a maioria, que nasce no endométrio) e os do colo do útero. Quando alguém diz “câncer de útero” no dia a dia, na maioria das vezes está se referindo justamente ao tumor do endométrio, que responde pela grande maioria dos tumores do corpo uterino. Já os sarcomas uterinos, que nascem no músculo, são bem mais raros.

Sintomas do câncer de endométrio

O principal sintoma do câncer de endométrio é o sangramento vaginal anormal, presente na maioria das mulheres já nas fases iniciais — o que ajuda no diagnóstico precoce. Os sinais mais comuns são:

  • Sangramento após a menopausa — o sintoma mais importante; qualquer sangramento depois da última menstruação deve ser investigado.
  • Sangramento entre as menstruações, fora do período esperado.
  • Menstruação muito abundante ou mais prolongada que o habitual (em mulheres ainda menstruando).
  • Corrimento vaginal aquoso, rosado ou amarelado, às vezes com odor.
  • Dor ou desconforto na região pélvica.
  • Dor durante a relação sexual.
  • Perda de peso sem explicação e cansaço, em fases mais avançadas.

Sangramento na pós-menopausa é o sinal de alerta número um. Ele não significa necessariamente câncer — pode ser causado por atrofia, pólipo endometrial ou hiperplasia endometrial —, mas precisa sempre de avaliação, porque é também a forma mais comum de a doença se manifestar.

Causas e fatores de risco

A maioria dos casos está ligada ao excesso de estrogênio sem a proteção da progesterona — o chamado “estrogênio sem oposição”. Esse desequilíbrio estimula o endométrio a crescer de forma exagerada, o que pode evoluir para hiperplasia e, em parte dos casos, para câncer. Os principais fatores de risco são:

  • Obesidade — o tecido gorduroso produz estrogênio extra e é um dos fatores mais fortes.
  • Hiperplasia endometrial com atipia — considerada a lesão precursora direta da doença.
  • Menopausa tardia e menarca precoce — mais anos de exposição ao estrogênio.
  • Nunca ter engravidado (nuliparidade) e anovulação crônica / SOP.
  • Diabetes tipo 2 e resistência à insulina.
  • Terapia de reposição hormonal só com estrogênio, sem progesterona, em quem ainda tem útero.
  • Tamoxifeno — usado no tratamento do câncer de mama, estimula o endométrio.
  • Síndrome de Lynch — condição hereditária que aumenta muito o risco de tumores do endométrio e do intestino.
  • Idade — o risco aumenta com o avançar da idade, sobretudo após a menopausa.

Ter um ou mais desses fatores não significa que a mulher vai desenvolver a doença, mas indica a necessidade de manter os exames ginecológicos em dia e de investigar qualquer sangramento anormal sem demora.

Tipos de câncer de endométrio

Nem todo tumor de endométrio é igual. Os médicos costumam separá-lo em dois grandes grupos, porque eles se comportam de maneira diferente e isso muda o tratamento e o prognóstico.

Tipo Características Comportamento
Tipo 1 (endometrioide) Ligado ao excesso de estrogênio; o mais comum (cerca de 80% dos casos) Costuma ser diagnosticado cedo e tem bom prognóstico
Tipo 2 (seroso, células claras, carcinossarcoma) Não depende do estrogênio; mais raro Mais agressivo, tende a ser descoberto em fase mais avançada

O tipo 1, adenocarcinoma endometrioide, é o que aparece na maioria das mulheres e responde bem quando tratado nos estágios iniciais. O tipo 2 é menos frequente, mas exige acompanhamento mais rigoroso.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta com o ginecologista, que ouve a história do sangramento, examina a paciente e solicita exames. O caminho costuma seguir esta ordem:

  1. Ultrassom transvaginal — mede a espessura do endométrio. Na pós-menopausa, um endométrio espessado (em geral acima de 4 a 5 mm) com sangramento acende o alerta para investigar mais.
  2. Histeroscopia — uma câmera fina é introduzida pelo colo do útero para observar a cavidade por dentro e localizar a área alterada.
  3. Biópsia do endométrio — a única forma de confirmar o câncer. O tecido é coletado por aspiração no consultório, durante a histeroscopia ou por curetagem, e analisado ao microscópio.

Vale reforçar um ponto que gera muita confusão: o papanicolau não diagnostica esse tipo de câncer. Esse exame serve para rastrear o câncer de colo do útero. Para o endométrio, o exame que fecha o diagnóstico é a biópsia. Depois de confirmado o câncer, exames de imagem como ressonância magnética, tomografia e, às vezes, PET-CT ajudam a definir o estágio da doença.

Estadiamento do câncer de endométrio (FIGO)

O estadiamento descreve o quanto o tumor se espalhou e é o que orienta o tratamento e o prognóstico. O sistema mais usado é o da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), que divide a doença em quatro estágios:

Estágio (FIGO) Até onde o câncer chegou
I Restrito ao corpo do útero
II Atinge o colo do útero, mas ainda dentro do útero
III Espalha-se para fora do útero: ovários, trompas, vagina ou linfonodos da pelve
IV Invade bexiga ou intestino, ou atinge órgãos distantes (metástase)

Quanto mais baixo o estágio, mais localizada está a doença e maiores as chances de cura. Por isso o diagnóstico precoce — provocado justamente pela investigação do sangramento anormal — faz tanta diferença.

Tratamento do câncer de endométrio

O tratamento padrão do câncer de endométrio é a cirurgia, geralmente a histerectomia total, que remove o útero e o colo, quase sempre junto com as trompas e os ovários. Em muitos casos também são retirados linfonodos da pelve para avaliar a extensão da doença. A partir daí, dependendo do tipo e do estágio, outros tratamentos podem ser associados:

  • Radioterapia e braquiterapia — para reduzir o risco de o câncer voltar, sobretudo em estágios intermediários ou tipos mais agressivos.
  • Quimioterapia — usada em estágios mais avançados ou em tumores do tipo 2.
  • Hormonioterapia — com progesterona, em casos selecionados, especialmente em mulheres jovens que desejam preservar a fertilidade e têm tumor inicial de baixo grau.
  • Imunoterapia e terapias-alvo — opções mais recentes para casos avançados ou recorrentes, conforme as características do tumor.

Em situações muito específicas de mulheres jovens com tumor inicial e desejo de engravidar, é possível tentar um tratamento conservador com hormônios antes da cirurgia, sempre com vigilância rigorosa. Essa decisão é individual e cabe ao oncologista ginecológico.

Câncer de endométrio tem cura?

Sim — e as chances são altas quando a doença é descoberta cedo. Como o sangramento anormal aparece logo no início na maioria das mulheres, boa parte dos casos é diagnosticada ainda no estágio I, quando o tumor está restrito ao útero. A tabela abaixo mostra estimativas gerais de sobrevida em cinco anos por estágio (são médias internacionais e servem de referência, não de previsão individual):

Estágio Sobrevida estimada em 5 anos
I (restrito ao útero) acima de 90%
II em torno de 70% a 80%
III cerca de 50% a 60%
IV (avançado / metástase) cerca de 15% a 20%

Esses números reforçam a mensagem central: descobrir cedo muda tudo. Investigar rapidamente qualquer sangramento fora do padrão é o que permite pegar a doença no estágio em que ela é mais curável.

Como reduzir o risco

Não há como garantir que a doença não vá aparecer, mas dá para reduzir o risco cuidando dos fatores que estão sob controle. Manter um peso saudável, controlar diabetes e pressão, praticar atividade física e nunca fazer reposição hormonal só com estrogênio (sem progesterona) quando ainda se tem útero são medidas importantes. Tratar corretamente a hiperplasia endometrial e outras condições que causam sangramento anormal, como a endometriose, também faz parte da prevenção. E, acima de tudo, procurar o ginecologista diante de qualquer sangramento anormal — principalmente na fase do climatério e depois da menopausa.

Quando procurar o médico

Procure um ginecologista se você tiver qualquer sangramento após a menopausa, sangramento entre as menstruações, corrimento aquoso ou rosado persistente, ou dor pélvica sem causa aparente. Mulheres com fatores de risco — obesidade, diabetes, SOP, uso de tamoxifeno ou histórico familiar de câncer de endométrio, ovário ou intestino (síndrome de Lynch) — devem manter o acompanhamento ginecológico em dia mesmo sem sintomas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do corpo do útero tem bom prognóstico quando diagnosticado precocemente, o que torna a atenção aos sinais de alerta a melhor ferramenta de proteção.

Perguntas frequentes sobre câncer de endométrio

Qual é o primeiro sinal do câncer de endométrio?

O primeiro e mais comum sinal é o sangramento vaginal anormal, principalmente o sangramento após a menopausa. Como ele aparece cedo, costuma levar a mulher ao médico ainda em fase inicial, o que favorece a cura.

Câncer de endométrio tem cura?

Sim. Quando diagnosticado no estágio inicial, a chance de cura é alta — a sobrevida em cinco anos no estágio I ultrapassa 90%. O tratamento padrão é a cirurgia, associada a outros tratamentos conforme o estágio.

Papanicolau detecta câncer de endométrio?

Não. O papanicolau serve para rastrear o câncer de colo do útero. O câncer de endométrio é confirmado por biópsia do endométrio, geralmente feita durante a histeroscopia ou por curetagem.

Câncer de endométrio é agressivo?

Depende do tipo. O tipo 1 (endometrioide), o mais comum, costuma ter bom prognóstico. O tipo 2 (seroso, células claras) é mais raro e mais agressivo, exigindo tratamento mais intensivo e acompanhamento próximo.

Toda hiperplasia endometrial vira câncer?

Não. A hiperplasia sem atipia raramente evolui para câncer (risco de cerca de 1% a 3%). Já a hiperplasia com atipia é uma lesão precursora e tem risco bem maior — por isso ela é tratada e acompanhada de perto.

Câncer de endométrio é hereditário?

Na maioria das vezes não, mas existe uma forma hereditária ligada à síndrome de Lynch, que aumenta o risco de câncer de endométrio e de intestino. Quem tem histórico familiar forte desses tumores deve conversar com o médico sobre acompanhamento e aconselhamento genético.

Qual a diferença entre câncer de endométrio e câncer de colo do útero?

São cânceres diferentes. O de colo do útero é causado principalmente pelo HPV e rastreado pelo papanicolau. O de endométrio nasce no revestimento interno do útero, relaciona-se ao excesso de estrogênio e se manifesta por sangramento anormal, especialmente após a menopausa.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Sangramentos anormais e alterações no útero devem ser sempre avaliados por um ginecologista ou oncologista. Fonte de referência: Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer do corpo do útero.