Neste artigo (9 seções)
O elinzanetant (nome comercial Lynkuet) é um remédio oral não hormonal para tratar as ondas de calor (fogachos) e os suores noturnos moderados a intensos da menopausa. Ele é o primeiro antagonista duplo dos receptores de neurocinina NK1 e NK3: age diretamente no cérebro, sem repor hormônios, e ainda melhora o sono. A dose aprovada é de 60 mg, uma vez ao dia. É uma novidade importante para as milhões de mulheres que não podem ou não querem fazer reposição hormonal — incluindo quem teve câncer de mama.
Neste guia você entende, em linguagem clara, o que é o elinzanetant, como ele funciona, o que dizem os estudos (OASIS 1, 2 e 3), qual a dose, os efeitos colaterais, a diferença dele para o fezolinetanto (Veoza) e — o mais perguntado — se ele já chegou ao Brasil.
O que é o elinzanetant
O elinzanetant é um medicamento oral, não hormonal, desenvolvido pela farmacêutica Bayer especificamente para reduzir os sintomas vasomotores (SVM) da menopausa — o nome técnico das ondas de calor e dos suores noturnos. Ele foi aprovado pela agência reguladora americana (FDA) em 24 de outubro de 2025, com o nome comercial Lynkuet.
O grande diferencial dele está na classe a que pertence: é o primeiro e único antagonista duplo dos receptores de neurocinina 1 e 3 (NK1 e NK3). Enquanto a terapia de reposição hormonal repõe o estrogênio que cai na menopausa, esse medicamento não é um hormônio — ele age modulando um circuito de neurônios no cérebro. Por isso é uma opção para quem tem contraindicação ao hormônio.
Como funciona o elinzanetant
Para entender por que ele funciona, é preciso saber por que o calor aparece. Na menopausa, a queda do estrogênio desregula um grupo de neurônios do hipotálamo chamados neurônios KNDy, que ficam “hiperativos”. Esses neurônios controlam o termostato do corpo. Quando eles disparam sem necessidade, o cérebro interpreta que o corpo está superaquecido e aciona os mecanismos de resfriamento: vasodilatação, rubor e suor — é o fogacho.
O elinzanetant bloqueia dois sinais que ativam esses neurônios: a substância P (via receptor NK1) e a neurocinina B (via receptor NK3). Ao silenciar essa hiperatividade, ele reduz a frequência e a intensidade das ondas de calor. O bloqueio adicional do receptor NK1 é o que traz um bônus que o antecessor não tem: melhora do sono, porque essa via também participa da regulação do descanso.
O que dizem os estudos (OASIS)
A aprovação foi sustentada pelos estudos de fase 3 OASIS 1, 2 e 3. Os resultados foram consistentes e clinicamente relevantes:
- Redução de 73,8% na frequência dos fogachos moderados a intensos na semana 12, contra 47% no grupo placebo.
- Efeito rápido: a diferença em relação ao placebo já era significativa na semana 4.
- Melhora da qualidade do sono e da qualidade de vida específica da menopausa, um desfecho em que o elinzanetant se destacou.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Obstetrics & Gynecology (2025), reunindo sete ensaios clínicos e 4.087 mulheres, confirmou a eficácia: o remédio reduziu em média cerca de 3 episódios de fogacho por dia e teve impacto superior no sono em comparação ao fezolinetanto. Em contrapartida, apresentou uma taxa um pouco maior de eventos adversos leves.
Dose do elinzanetant
A dose aprovada é de 60 mg, uma vez ao dia, em cápsula, por via oral. Por não ser hormônio, ele não exige as mesmas precauções da reposição hormonal, mas — como todo medicamento novo e de tarja — só deve ser usado com prescrição e acompanhamento médico. Nunca inicie por conta própria.
Efeitos colaterais do elinzanetant
Nos estudos OASIS, ele foi bem tolerado. Os efeitos colaterais mais relatados foram:
- Dor de cabeça (cefaleia)
- Cansaço (fadiga)
- Tontura
- Sonolência
Um ponto tranquilizador: ao contrário do fezolinetanto — que exige monitoramento das enzimas do fígado — os estudos do elinzanetant não mostraram sinal relevante de toxicidade hepática nem alterações metabólicas preocupantes. Ainda assim, por ser um medicamento recente, o acompanhamento médico é essencial para vigiar qualquer reação.
Elinzanetant x fezolinetanto (Veoza): qual a diferença
Essa é a dúvida mais comum, porque os dois são “primos” não hormonais que agem no mesmo circuito cerebral. O fezolinetanto (Veoza) foi o primeiro a chegar e bloqueia apenas o receptor NK3. O elinzanetant bloqueia NK1 e NK3, o que agrega o benefício do sono. A tabela resume:
| Característica | Elinzanetant (Lynkuet) | Fezolinetanto (Veoza) |
|---|---|---|
| Mecanismo | Antagonista duplo NK1 + NK3 | Antagonista de NK3 |
| Dose | 60 mg, 1x/dia | 45 mg, 1x/dia |
| Benefício no sono | Sim (bloqueio NK1) | Indireto (menos suor noturno) |
| Monitorar fígado | Não indicado como rotina | Sim (enzimas hepáticas) |
| Aprovação FDA (EUA) | Outubro/2025 | 2023 |
| Situação no Brasil (jul/2026) | Ainda sem registro Anvisa | Aprovado pela Anvisa em jun/2026 |
Na prática, o Lynkuet tende a ser uma escolha atraente para quem sofre com fogacho e insônia ou suor noturno intenso. Mas a decisão é individual e cabe ao médico.
Para quem o elinzanetant é indicado
Ele é indicado para mulheres com sintomas vasomotores moderados a intensos da menopausa, especialmente as que:
- Não podem usar hormônio, como sobreviventes de câncer de mama;
- Têm risco elevado de trombose ou outras contraindicações à terapia de reposição hormonal;
- Simplesmente preferem um tratamento não hormonal.
Para quem já usa antidepressivos como a venlafaxina ou a gabapentina para o calor, o elinzanetant representa uma opção mais moderna e específica — desenhada sob medida para o fogacho, e não “emprestada” de outra função.
O elinzanetant já chegou ao Brasil?
Até julho de 2026, o elinzanetant (Lynkuet) ainda não tinha registro aprovado pela Anvisa e, portanto, não estava disponível para venda no Brasil. Ele já foi aprovado nos Estados Unidos (FDA, outubro de 2025) e a Bayer sinalizou a intenção de submeter o pedido de registro à Anvisa. Historicamente, a chegada ao mercado brasileiro leva cerca de um ano e meio após a aprovação americana.
Vale não confundir: quem já foi aprovado pela Anvisa (em junho de 2026) foi o fezolinetanto (Veoza), o primo que bloqueia só o NK3. Enquanto o elinzanetant não chega, o fezolinetanto e as demais opções não hormonais seguem sendo as alternativas disponíveis por aqui. Para entender toda a fase, veja também o guia sobre o climatério e a menopausa.
Perguntas frequentes sobre o elinzanetant
Para que serve o elinzanetant?
Serve para reduzir as ondas de calor (fogachos) e os suores noturnos moderados a intensos da menopausa. É um tratamento não hormonal que também melhora o sono.
Qual a diferença entre elinzanetant e fezolinetanto (Veoza)?
O fezolinetanto bloqueia apenas o receptor NK3. O elinzanetant bloqueia NK1 e NK3, o que acrescenta benefício sobre o sono. O elinzanetant também não exige monitoramento de rotina do fígado.
O elinzanetant já está disponível no Brasil?
Não. Até julho de 2026 ele não tinha registro na Anvisa. Está aprovado nos EUA desde outubro de 2025, e a expectativa é de pedido de registro no Brasil. Por enquanto, só o fezolinetanto (Veoza) está aprovado por aqui.
Qual a dose do elinzanetant?
A dose aprovada é de 60 mg, uma vez ao dia, em cápsula oral, sempre com prescrição médica.
O elinzanetant ajuda a dormir?
Sim. O bloqueio do receptor NK1 está associado à melhora do sono, e os estudos OASIS mostraram ganho na qualidade do descanso — um diferencial em relação ao fezolinetanto.
Quais os efeitos colaterais do elinzanetant?
Os mais comuns foram dor de cabeça, cansaço, tontura e sonolência. Os estudos não mostraram sinal relevante de problemas no fígado.
Quem teve câncer de mama pode usar elinzanetant?
Ele é justamente uma opção pensada para mulheres que não podem usar hormônio, como sobreviventes de câncer de mama. A decisão, porém, deve ser sempre do médico oncologista/ginecologista, avaliando cada caso.
O elinzanetant é hormônio?
Não. Ele é um medicamento não hormonal, de uma classe nova (antagonista de neurocinina), que age no cérebro sem repor estrogênio.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. O elinzanetant é um medicamento de prescrição; converse com seu ginecologista antes de qualquer decisão. Fonte de referência científica: meta-análise publicada em Obstetrics & Gynecology (2025) e comunicado de aprovação da Bayer/FDA.

Comentários
Seja o primeiro a comentar. Leva menos de 30 segundos.
Comentar agoraAinda nenhum comentário. Que tal começar a conversa?
Deixe seu comentário
Sua opinião importa. Pode falar à vontade — julgamento zero aqui.