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Este é um conto erótico gay: o escritor — ficção adulta em primeira pessoa sobre mim, que publicava histórias eróticas M/M na internet há dois anos, e o leitor que comentou cada capítulo até que a conversa saísse da tela. Um conto erótico gay escritor não costuma existir: quem escreve fica sempre do lado seguro da página. Mas naquela madrugada de terça a página se dobrou, e o personagem que eu mais tinha desejado inventar respondeu a mensagem. Se você procura uma história entre homens de tensão lenta, palavras que viram toque e um clímax que começou como comentário anônimo, respira fundo — esta é longa e vale cada linha.

O leitor que comentava tudo

Eu escrevia sob o nome de Nocturno. Ninguém no meu trabalho sabia, nenhum amigo desconfiava: o Rafael de segunda a sexta era analista de sistemas, camisa social, reuniões chatas. O Nocturno das madrugadas escrevia contos eróticos gay que juntavam milhares de leituras e uma legião silenciosa de gente que lia e sumia.

Menos um. Havia dois anos que um usuário chamado T. comentava. Não os “adorei!” de sempre — ele escrevia parágrafos. Notava quando eu deixava um gesto no ar de propósito, quando um personagem mentia sem dizer que mentia. “Você escreve desejo como quem descreve fome de quem já passou fome”, ele largou uma vez. Eu li aquilo umas vinte vezes.

Em dois anos, T. tinha comentado cada capítulo de cada série. Eu já escrevia meio que para ele. Percebi tarde: o “leitor ideal” que a gente inventa na cabeça tinha ganhado nome de uma letra só.

A mensagem privada

Na terça em que publiquei o último capítulo da minha série mais longa, a caixa de mensagens da plataforma piscou. T. nunca tinha mandado mensagem privada — só comentários públicos. Meu estômago fez algo estranho antes mesmo de eu abrir.

“Terminou. E agora eu não tenho mais o que esperar às terças. Isso é reclamação e é elogio.”

Respondi sem pensar direito, já quase três da manhã: “Escreve você a continuação, então. Me conta o que o personagem faria depois que a porta fecha.”

Ele escreveu. Um parágrafo inteiro, na voz que eu conhecia de anos, colocando meus dois personagens numa cozinha às escuras. E o parágrafo era bom. Bom de doer. No fim, ele acrescentou: “Sou o Téo, aliás. Cansei de ser uma inicial.” E mandou uma foto — não uma foto pensada para impressionar, só um homem de trinta e poucos anos, barba por fazer, meio rindo de si mesmo na luz do abajur.

Passamos a madrugada trocando cenas. Ele propunha uma linha, eu devolvia outra, e em algum momento parou de ser sobre os personagens. “E se o escritor e o leitor se encontrassem?”, ele digitou. “Como você escreveria essa cena?”

Eu escrevi: “Eu não escreveria. Eu deixaria acontecer.” E mandei meu número.

O café que não foi sobre café

Marcamos num café perto da estação, num sábado de manhã — o horário mais inofensivo que existe, escolhido de propósito para fingir que aquilo era só curiosidade literária. Reconheci o Téo antes de ele me ver. Mais alto do que a foto sugeria, mãos grandes em volta da xícara, aquele jeito de quem ocupa o próprio corpo com calma.

Conversamos duas horas sobre tudo menos o que estava na mesa entre nós. Livros, o trabalho dele de arquiteto, a cidade. Mas ele olhava para a minha boca quando eu falava, e eu tinha escrito cenas suficientes para saber o que aquele tipo de olhar prepara. Quando nossos joelhos se encostaram embaixo da mesa e nenhum dos dois recuou, o café já tinha esfriado fazia tempo.

Em algum momento ele parou de falar no meio de uma frase, me encarou e disse: “Sabe o que é estranho? Eu conheço a sua cabeça melhor do que conheço o seu rosto. Passei dois anos dentro dos seus contos.” Eu quis responder alguma coisa espirituosa e não achei nada. Estava acostumado a controlar as palavras — era o meu ofício — e ali, na frente dele, elas simplesmente me abandonaram. Foi a primeira vez em anos que eu senti o que os meus personagens sentiam nas cenas que eu escrevia: o corpo indo mais rápido que a razão.

“Eu li tudo o que você escreveu”, ele disse por fim, a voz mais baixa. “Sei exatamente do que você gosta. Está tudo lá, nas entrelinhas.”

“São personagens”, eu tentei.

Ele sorriu de lado. “São desejos. Personagem é só a roupa que o desejo veste.” E se levantou. “Meu apartamento é aqui do lado.”

Quando a ficção fechou a porta

O apartamento dele era exatamente como um leitor atento imaginaria: estantes, luz âmbar, silêncio. A porta mal tinha fechado e ele me prensou contra ela — sem pressa, o corpo inteiro contra o meu, esperando eu decidir. Eu decidi puxando a nuca dele e beijando primeiro.

Foi o beijo de quem já se conhecia de anos por escrito. Ele mordeu meu lábio inferior devagar, do jeito exato que eu tinha descrito num capítulo dezoito meses antes, e eu ri contra a boca dele — porque ele tinha lido, e estava me devolvendo minhas próprias palavras em forma de gesto.

As mãos grandes desceram pela minha cintura, subiram por baixo da camisa. Ele me despiu como quem folheia algo que já leu: sabendo onde demorar. A boca dele encontrou meu pescoço, a clavícula, e cada vez que eu prendia a respiração ele registrava, ajustava, insistia ali. “Você escreve isso melhor do que reage”, ele murmurou contra a minha pele, e a provocação me acendeu mais do que qualquer toque.

Eu o empurrei em direção ao sofá, subi no colo dele, senti o quanto ele já estava duro sob mim. Arranquei a camisa dele. Peito firme, uma linha de pelos que descia, o coração batendo rápido embaixo da minha palma — a única coisa nele que traía a calma toda. “Agora quem está sem palavras é você”, eu disse. Ele me respondeu com as mãos.

O clímax que ninguém tinha escrito ainda

Fomos para a cama porque o sofá já não bastava. Ele me deitou, ficou por cima, e por um instante só me olhou — todo o desejo de dois anos de comentários concentrado num rosto a um palmo do meu. Depois abaixou a boca pelo meu corpo, sem pular nenhuma linha, até me arrancar um som que eu não sabia que tinha.

Quando ele finalmente perguntou, baixinho, se eu queria, eu já estava puxando a mão dele. Ele pegou a camisinha da gaveta com uma naturalidade que dizia que aquilo tinha sido imaginado antes. Foi devagar no começo — atento, lendo cada respiração minha como lia meus capítulos, recuando quando eu tensionava, avançando quando eu relaxava e pedia mais. E eu pedi mais.

O ritmo cresceu junto com os nossos sons. Ele segurou meus pulsos acima da cabeça, testa colada na minha, e o mundo virou só aquilo: o peso dele, o calor, o nome dele saindo da minha boca sem que eu decidisse dizer. Quando eu gozei foi com a mão dele em mim e a boca dele engolindo o meu gemido; ele veio logo depois, tremendo, afundando o rosto na curva do meu pescoço como se procurasse o último parágrafo ali.

Ficamos imóveis, colados, a respiração desacelerando junto. Foi ele quem quebrou o silêncio, o riso ainda ofegante: “Isso não estava em nenhum capítulo.”

“Não”, eu disse, olhando o teto. “Esse a gente escreve juntos.”

Depois

Amanheceu e nenhum dos dois foi embora. Ele fez café — de verdade, dessa vez — e trouxe para a cama. Abriu o notebook, girou a tela para mim. Era a plataforma onde eu publicava, aberta num rascunho novo. No título: “O Escritor”. No corpo, a primeira linha que ele tinha digitado às três da manhã, dias antes.

“Termina”, ele disse. “Você começou faz dois anos e nem sabia.”

Eu não terminei naquela manhã. Ainda não terminei. Tem coisa que a gente prefere continuar escrevendo com o personagem do lado, na cama, corrigindo os detalhes na prática. Nocturno ganhou um co-autor, e a série mais lida do meu perfil agora tem duas vozes. Os leitores acham que é técnica narrativa. É biografia.

Passaram-se meses e o Téo ainda comenta os meus rascunhos antes de qualquer outra pessoa — só que agora ele comenta com a boca no meu ouvido, deitado atrás de mim enquanto eu digito. Às vezes ele lê um parágrafo em voz alta, para de propósito na frase mais quente e fecha o notebook. “O resto a gente encena”, ele diz. E encena. Descobri que a diferença entre escrever desejo e viver desejo é só a distância de uma tela — e que essa distância, uma vez atravessada, não dá mais para fingir que existe.

Sobre este conto erótico gay escritor

Escrevi esta história pensando em todo mundo que já se apaixonou por uma voz antes de conhecer o rosto por trás dela. Um conto erótico gay escritor funciona porque inverte a fantasia habitual: aqui o autor, que sempre controla o prazer alheio no papel, perde o controle na vida real. A ficção deixa de ser um esconderijo e vira ponte. Se você escreve, sabe do que estou falando; se você só lê, talvez seja o Téo de alguém sem saber ainda.

Perguntas frequentes

O que é um conto erótico gay?

Um conto erótico gay é uma história curta de ficção adulta que retrata o desejo, a sedução e o sexo entre homens. É literatura de entretenimento para maiores de 18 anos, com personagens e situações inventados — como este conto erótico gay escritor, narrado em primeira pessoa para aumentar a imersão.

Onde ler contos eróticos gay online de graça?

Você encontra contos eróticos gay gratuitos em blogs adultos como o da iFody, em plataformas de fanfic e em coletâneas literárias. Aqui publicamos novas histórias M/M com frequência — dá para navegar por tema (academia, praia, profissões) e ler quantas quiser sem pagar nada.

Contos eróticos gay são ficção ou relatos reais?

São ficção. Um conto erótico gay como este é literatura: personagens, nomes e cenas são criados pelo autor para provocar prazer na leitura. Alguns se inspiram em experiências, mas o formato “conto” ou “relato” é uma escolha narrativa, não uma garantia de fato.

Como escrever um conto erótico gay?

Comece por um desejo concreto e um cenário simples, construa tensão antes da cena explícita e cuide da voz do narrador. Consentimento entre adultos, ritmo e detalhes sensoriais valem mais que vocabulário pesado. Nosso guia de fanfic erótica explica o passo a passo de quem quer virar escritor.

Nota do autor

Este é um conto erótico gay de ficção: qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência, e todos os personagens são adultos em relações consentidas. Se a leitura te deixou com vontade de mais, veja outros contos eróticos gay do blog, mergulhe no nosso guia de sexo gay para transformar ficção em prática com segurança, ou leia o conto gay do réveillon. Para entender a tradição literária por trás dessas histórias, vale conhecer a literatura LGBT do Brasil, que há mais de um século transforma desejo entre homens em página.