Neste artigo (9 seções)

O citalopram para fogachos funciona: mesmo sem aprovação em bula para essa finalidade, o citalopram (Cipramil) reduz a frequência e a intensidade das ondas de calor da menopausa em cerca de 50% nas doses de 10 a 20 mg por dia. É uma das opções não hormonais mais estudadas para quem não pode ou não quer fazer reposição hormonal — mas tem um alerta de segurança para o coração que você precisa conhecer antes de começar.

Neste guia você entende como um remédio de depressão alivia o calor, qual a dose usada para fogacho, quanto tempo leva para funcionar, os efeitos colaterais e por que o citalopram exige um cuidado extra que o escitalopram não exige.

Por que um antidepressivo trata fogacho

As ondas de calor não nascem só da queda do estrogênio: elas passam pelo centro que regula a temperatura no cérebro (o hipotálamo), que fica mais “sensível” quando os hormônios caem na menopausa. A serotonina e a noradrenalina participam desse termostato interno. O citalopram é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) — ele aumenta a disponibilidade de serotonina no cérebro e, com isso, ajuda a reequilibrar o termostato, reduzindo os disparos de calor.

Por isso vários antidepressivos entraram no arsenal contra o fogacho. Entre os mais efetivos estão a paroxetina, o escitalopram, o citalopram, a venlafaxina e a desvenlafaxina, que reduzem em torno de 65% a frequência e a severidade das ondas de calor. Já a fluoxetina e a sertralina têm evidência fraca ou duvidosa para essa finalidade.

Citalopram para fogachos funciona? O que dizem os estudos

Sim, o citalopram para fogachos tem respaldo em ensaio clínico. O ensaio clínico mais robusto foi o NCCTG N05C9, um estudo de fase III, duplo-cego e controlado por placebo, com 254 mulheres na pós-menopausa que tinham pelo menos 14 fogachos incômodos por semana. Elas receberam citalopram nas doses-alvo de 10, 20 ou 30 mg por dia, ou placebo, por 6 semanas.

A redução do escore de ondas de calor (que combina frequência e intensidade) foi:

Tratamento Redução do escore de fogacho
Placebo 23%
Citalopram 10 mg 49%
Citalopram 20 mg 50%
Citalopram 30 mg 55%

O ponto mais importante do estudo: não houve diferença relevante entre as doses. Ou seja, 10 mg já entrega quase todo o benefício, e subir para 30 mg agrega pouco — o que pesa na escolha da dose, como você verá a seguir.

Qual a dose de citalopram para ondas de calor

A dose usada para fogacho fica entre 10 e 20 mg por dia, começando por 10 mg. Essa faixa é geralmente menor ou igual à usada para depressão e ansiedade, e costuma ser suficiente porque o efeito sobre o calor aparece já nas doses baixas.

Alguns pontos práticos:

  • Comece baixo: 10 mg/dia, de preferência avaliando a resposta em 2 a 4 semanas antes de pensar em aumentar.
  • 20 mg é o teto habitual para essa indicação — o pequeno ganho extra raramente compensa mais efeitos colaterais.
  • 30 mg não é recomendada para fogacho: o benefício adicional é mínimo e o risco de toxicidade cresce (veja o alerta de segurança abaixo).

Como toda medicação, a definição da dose é sempre do seu médico, que vai considerar seu histórico, outros remédios em uso e a intensidade dos sintomas.

Quanto tempo o citalopram leva para reduzir os fogachos

O alívio costuma começar em 1 a 4 semanas. Ao contrário da reposição hormonal, que pode agir mais rápido, os antidepressivos precisam de um tempo de ajuste até estabilizar os níveis de serotonina. Vale dar pelo menos 4 semanas na dose antes de concluir que “não funcionou”.

O alerta de segurança que diferencia o citalopram

Aqui está o cuidado que separa o citalopram de “primos” como o escitalopram. O citalopram pode prolongar o intervalo QT — uma medida elétrica do coração no eletrocardiograma. Quando esse intervalo se alonga demais, aumenta o risco de arritmias graves. Por isso, agências de saúde recomendam limites de dose:

  • Não ultrapassar 40 mg/dia de forma geral (bem acima da dose de fogacho, mas importante saber).
  • Máximo de 20 mg/dia para pessoas acima de 60 anos, com problemas de fígado, ou que usam outros remédios que também mexem no QT.

Como a dose para fogacho já é baixa (10-20 mg), o citalopram é seguro para a maioria das mulheres. Mas se você tem doença cardíaca, alterações de potássio/magnésio ou usa medicações que afetam o ritmo do coração, avise o médico — em muitos desses casos o escitalopram acaba sendo preferido. Se quiser comparar, veja nosso guia sobre o escitalopram (Lexapro) para fogachos.

Efeitos colaterais do citalopram

Os efeitos mais comuns dos ISRS, incluindo o citalopram, são:

  • Náusea (costuma passar nas primeiras semanas)
  • Sonolência ou, ao contrário, insônia
  • Boca seca
  • Diminuição da libido
  • Dor de cabeça leve

A maioria melhora com o tempo de uso. Sobre uma dúvida frequente: o citalopram não é conhecido por causar ganho de peso importante nas doses baixas usadas para fogacho, mas a resposta varia de pessoa para pessoa.

Um cuidado essencial: não pare o citalopram de repente. A interrupção brusca pode causar a chamada síndrome de descontinuação (tontura, “choques” na cabeça, irritabilidade, sintomas de gripe). A retirada deve ser gradual, orientada pelo médico — e, se o remédio for suspenso, os fogachos podem voltar em poucas semanas.

Citalopram e tamoxifeno: uma vantagem importante

Para mulheres que fizeram câncer de mama e usam tamoxifeno, a escolha do antidepressivo é delicada. Alguns ISRS — em especial a paroxetina e a fluoxetina — bloqueiam a enzima CYP2D6, que o corpo usa para transformar o tamoxifeno em sua forma ativa. Isso pode reduzir o efeito protetor do tamoxifeno.

O citalopram inibe pouco a CYP2D6, o que o torna, junto com o escitalopram e a venlafaxina, uma opção mais segura para quem trata o câncer de mama e sofre com fogachos. Ainda assim, a decisão deve ser sempre compartilhada com o oncologista. Entenda melhor em tamoxifeno e antidepressivo: quais pode tomar.

Citalopram x escitalopram e outras opções

O escitalopram é a “metade ativa” do citalopram e, na prática, os dois têm eficácia parecida para fogacho. A diferença mais relevante é a segurança: o escitalopram tem um perfil de QT um pouco mais tranquilo, o que o coloca à frente quando há preocupação cardíaca. Já a paroxetina é a única aprovada oficialmente (nos EUA) para ondas de calor, na dose baixa de 7,5 mg.

Vale lembrar que os antidepressivos são apenas uma das frentes não hormonais. Existem ainda alternativas hormonais mais eficazes para quem pode usá-las — o assunto está detalhado no nosso guia de terapia de reposição hormonal na menopausa.

Opção não hormonal Dose usual p/ fogacho Observação
Citalopram 10-20 mg/dia Bom custo-benefício; atenção ao QT em cardiopatas
Escitalopram 10-20 mg/dia Perfil cardíaco mais tranquilo
Paroxetina 7,5 mg/dia Única aprovada (FDA) p/ fogacho; evitar com tamoxifeno
Venlafaxina 37,5-75 mg/dia IRSN; útil também com tamoxifeno

Perguntas frequentes sobre citalopram para fogachos

Citalopram serve para os calores da menopausa?

Sim. Embora não tenha aprovação em bula para essa finalidade (uso off-label), o citalopram reduz a frequência e a intensidade das ondas de calor em cerca de 50% nas doses de 10 a 20 mg por dia, segundo ensaios clínicos controlados.

Qual a dose de citalopram para fogacho?

Geralmente 10 a 20 mg por dia, começando por 10 mg. A dose de 30 mg não é recomendada para fogacho porque agrega pouco benefício e aumenta o risco de toxicidade. Quem define a dose é o médico.

Quanto tempo o citalopram leva para reduzir as ondas de calor?

O alívio costuma aparecer entre 1 e 4 semanas de uso. Vale manter a dose por pelo menos 4 semanas antes de avaliar se funcionou.

Citalopram ou escitalopram: qual é melhor para fogacho?

A eficácia é parecida. O escitalopram tende a ser preferido quando há preocupação com o coração (intervalo QT), enquanto o citalopram é uma opção de bom custo nas demais situações.

Quem faz tamoxifeno pode tomar citalopram?

Sim, o citalopram é considerado uma das opções mais seguras nesse caso, porque interfere pouco na enzima que ativa o tamoxifeno. Mesmo assim, a decisão deve ser combinada com o oncologista.

O citalopram engorda?

Nas doses baixas usadas para fogacho, o citalopram não costuma causar ganho de peso relevante, mas a resposta é individual.

Pode parar o citalopram de uma vez?

Não. A retirada deve ser gradual e orientada pelo médico, para evitar a síndrome de descontinuação e o retorno abrupto dos fogachos.


Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. O citalopram é um medicamento de prescrição e seu uso para fogachos deve ser sempre orientado por um profissional de saúde, especialmente pelo alerta de segurança cardíaca. Fonte de referência: FDA Drug Safety Communication sobre o citalopram e o intervalo QT.