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O câncer de ovário é um tumor maligno que se desenvolve nos ovários, os órgãos responsáveis por produzir os óvulos e os hormônios femininos. O tipo mais comum, o epitelial, nasce nas células que revestem a superfície do órgão. É considerado um tumor “silencioso”: costuma não dar sintomas claros nas fases iniciais e, ao contrário do colo do útero, não conta com um exame de rotina que o detecte cedo. Este guia explica, em linguagem simples, o que é a doença, quais são os sinais de alerta, quem tem mais risco, como é o diagnóstico e o tratamento.
Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um ginecologista ou oncologista. Sintomas abdominais que persistem por mais de duas a três semanas — inchaço, dor ou saciedade precoce — merecem avaliação médica. Não é para se assustar, e sim para investigar.
O que é câncer de ovário
Os ovários são duas pequenas glândulas do sistema reprodutor feminino, uma de cada lado do útero. Eles têm duas funções: guardar e liberar os óvulos a cada ciclo e produzir os hormônios estrogênio e progesterona. A doença surge quando células desses órgãos passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor maligno que pode crescer localmente e, com o tempo, se espalhar pelo abdômen e para outros órgãos.
A grande diferença desse tumor para o de colo do útero é a falta de um sinal precoce e de um exame de rastreamento eficaz. O papanicolau detecta alterações no colo anos antes de virarem câncer, mas ele não enxerga o ovário. Por isso o problema costuma ser descoberto em fases mais avançadas — e por isso conhecer os sintomas faz tanta diferença.
Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), esse é um dos tumores ginecológicos mais letais justamente por causa do diagnóstico tardio, mesmo não sendo o mais frequente.
Tipos de câncer de ovário
Nem todo tumor de ovário é igual. Os principais tipos são:
- Epitelial: o mais comum (cerca de 9 em cada 10 casos). Origina-se nas células da superfície do órgão e é o que costuma afetar mulheres após a menopausa.
- Germinativo: nasce nas células que formam os óvulos. É raro e atinge sobretudo adolescentes e mulheres jovens; costuma responder bem ao tratamento.
- Estromal: surge no tecido que produz os hormônios. Também é raro e muitas vezes é descoberto mais cedo porque pode alterar a produção hormonal.
Sintomas do câncer de ovário
Os sintomas do câncer de ovário são vagos e fáceis de confundir com problemas digestivos, o que atrasa o diagnóstico. O sinal mais característico não é uma queixa isolada, mas a persistência: incômodos abdominais que aparecem quase todos os dias por mais de duas a três semanas e que são novos para aquela mulher. Fique atenta a:
- Inchaço ou distensão abdominal que não passa;
- Sensação de estômago cheio ou saciedade precoce (comer pouco e já se sentir satisfeita);
- Dor ou pressão na região pélvica ou na parte baixa da barriga;
- Vontade frequente ou urgente de urinar;
- Alterações intestinais, como prisão de ventre ou diarreia persistente;
- Cansaço sem explicação, perda de apetite ou de peso;
- Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa.
O ponto-chave é a combinação e a constância desses sinais. Um dia de barriga inchada não significa nada de grave. Já semanas seguidas de inchaço com saciedade precoce e dor pélvica merecem uma consulta com o ginecologista.
Causas e fatores de risco
Não existe uma causa única. A doença resulta de alterações no DNA das células, que podem ser herdadas ou surgir ao longo da vida. Alguns fatores aumentam o risco:
- Idade: o risco cresce com o tempo, sendo mais comum entre 50 e 70 anos e após a menopausa.
- História familiar: ter mãe, irmã ou filha com câncer de ovário ou de mama aumenta o risco.
- Mutações genéticas BRCA1 e BRCA2: são as mais associadas ao problema. Mulheres com essas mutações têm risco bem mais alto de tumores no ovário e na mama ao longo da vida.
- Síndrome de Lynch: condição hereditária que eleva o risco de vários cânceres, incluindo o de ovário e o de endométrio.
- Nunca ter engravidado ou ter tido a primeira gestação após os 35 anos.
- Endometriose, obesidade e uso prolongado de terapia hormonal na menopausa também são apontados como fatores contribuintes.
Ter um fator de risco não significa que a doença vai aparecer — muitas pacientes não têm nenhum deles. Por outro lado, quem tem forte história familiar deve conversar com o médico sobre aconselhamento genético e teste para as mutações BRCA.
Cisto no ovário pode virar câncer?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes, e a resposta tranquiliza: a grande maioria dos cistos no ovário é benigna e não se transforma em tumor maligno, especialmente os cistos funcionais, comuns na idade reprodutiva. O que exige atenção são os cistos ditos “complexos” (com partes sólidas, septos ou vascularização) e os que aparecem depois da menopausa — esses precisam de investigação com exames de imagem e, às vezes, do marcador CA-125. Entenda melhor a diferença no nosso guia sobre cisto no ovário.
Como é feito o diagnóstico
Não há um exame único que confirme a doença de imediato. O diagnóstico é montado por etapas:
- Exame pélvico: o ginecologista apalpa o abdômen e a pelve em busca de aumento ou massa nos ovários.
- Ultrassom transvaginal: costuma ser o primeiro exame de imagem; mostra o tamanho e as características de eventuais massas, mas não distingue com certeza tumor benigno de maligno.
- CA-125: um exame de sangue que mede uma proteína que pode estar elevada nesses tumores. É útil no acompanhamento, mas não serve como triagem isolada, porque também sobe em condições benignas (endometriose, menstruação, miomas).
- Tomografia e ressonância magnética: ajudam a avaliar a extensão da doença.
- Biópsia/cirurgia: o diagnóstico definitivo vem da análise do tecido, geralmente obtido durante a própria cirurgia de retirada do tumor.
Vale reforçar: não existe, hoje, um exame de rotina (como o papanicolau é para o colo do útero) que rastreie a doença na população geral. Por isso a atenção aos sintomas persistentes e o acompanhamento ginecológico regular são as melhores ferramentas de detecção precoce.
Estadiamento (FIGO)
O estadiamento descreve o quanto a doença se espalhou e orienta o tratamento. O sistema mais usado é o da FIGO, dividido em quatro estágios:
| Estágio | O que significa |
|---|---|
| I | O tumor está limitado a um ou aos dois ovários. |
| II | Espalhou-se para outros órgãos da pelve (útero, trompas, bexiga, reto). |
| III | Atingiu o revestimento do abdômen (peritônio) ou os linfonodos. |
| IV | Há metástase a distância, em órgãos como fígado, pulmões ou fora do abdômen. |
Quanto mais precoce o estágio no momento do diagnóstico, maiores as chances de cura.
Como é feito o tratamento
O tratamento é definido por uma equipe de ginecologia oncológica e depende do tipo do tumor, do estágio e da saúde geral da mulher. As principais abordagens são:
- Cirurgia: costuma ser o primeiro passo. Vai desde a retirada do ovário e da trompa afetados (nos casos iniciais, às vezes preservando a fertilidade) até a cirurgia citorredutiva, que remove o máximo possível de tumor no abdômen, muitas vezes junto com útero, trompas e o outro ovário.
- Quimioterapia: usada após a cirurgia para eliminar células remanescentes e reduzir o risco de retorno. Em alguns casos é feita antes, para diminuir o tumor.
- Terapias-alvo: medicamentos mais recentes, como os inibidores de PARP (indicados principalmente em tumores com mutação BRCA) e o bevacizumabe, atacam mecanismos específicos das células cancerígenas e ajudam a manter a doença sob controle.
Câncer de ovário tem cura?
Sim, o câncer de ovário pode ter cura, principalmente quando é descoberto nos estágios iniciais. Nesses casos, as chances de sobrevida são altas. O problema é que, por ser silencioso, a maioria dos diagnósticos ainda acontece em fases mais avançadas, o que torna o tratamento mais difícil — mas não impossível. Mesmo em estágios avançados, os recursos atuais conseguem controlar a doença por longos períodos e preservar qualidade de vida. Por isso a mensagem central é: sintomas persistentes, procure o ginecologista.
Ovário, endométrio e colo do útero: não confunda
Os três são cânceres ginecológicos, mas nascem em lugares diferentes e se comportam de formas distintas. O câncer de colo do útero surge na entrada do útero, é causado pelo HPV e tem rastreamento pelo papanicolau. O câncer de endométrio nasce no revestimento interno do corpo do útero e costuma dar sinal cedo, com sangramento após a menopausa. Já o tumor do ovário é o mais silencioso dos três e o que mais depende da atenção aos sintomas para ser descoberto a tempo.
Perguntas frequentes sobre câncer de ovário
Quais os primeiros sintomas do câncer de ovário?
Os primeiros sinais costumam ser vagos: inchaço abdominal que não passa, saciedade precoce, dor ou pressão na pelve e vontade frequente de urinar. O que chama a atenção é a persistência — sintomas que se repetem quase diariamente por mais de duas a três semanas.
Câncer de ovário tem cura?
Tem, sobretudo quando diagnosticado em estágio inicial, com altas chances de cura. Em fases avançadas o tratamento é mais desafiador, mas ainda assim consegue controlar a doença e prolongar a vida com qualidade.
Cisto no ovário pode virar câncer?
Na grande maioria dos casos, não. Os cistos mais comuns são benignos. Merecem investigação os cistos complexos (com áreas sólidas) e os que aparecem após a menopausa.
Existe exame de rotina que detecta câncer de ovário?
Não há um exame de rastreamento populacional como o papanicolau. O ultrassom transvaginal e o CA-125 são usados na investigação de sintomas ou em mulheres de alto risco, não como triagem para todas.
O que é o exame CA-125?
É um exame de sangue que mede uma proteína que pode estar elevada nesse tipo de tumor. Ajuda no acompanhamento do tratamento, mas sozinho não confirma nem descarta a doença, porque também sobe em condições benignas.
Quem tem mais risco de ter câncer de ovário?
Mulheres acima de 50 anos, com história familiar de câncer de ovário ou de mama, portadoras das mutações BRCA1/BRCA2 ou da síndrome de Lynch, além de quem nunca engravidou. Nesses casos, vale conversar sobre aconselhamento genético.

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