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O acetato de medroxiprogesterona (Provera) é um progestagênio sintético usado para tratar alterações menstruais e como a “parte progesterona” da reposição hormonal da menopausa, protegendo o endométrio de quem toma estrogênio. Ele caiu em desuso na reposição hormonal depois do estudo WHI (2002), que associou a combinação de estrogênio com medroxiprogesterona a um aumento no risco de câncer de mama e de eventos cardiovasculares — hoje existem progestagênios considerados mais favoráveis para essa finalidade. Ainda assim, o medicamento continua tendo usos importantes. Este guia explica o que é o AMP, para que serve, seus efeitos colaterais e por que ele perdeu espaço. Por ser um tema de saúde, nada aqui substitui a avaliação do seu médico.
O que é o acetato de medroxiprogesterona
O acetato de medroxiprogesterona — abreviado como AMP ou MPA — é um progestagênio sintético, ou seja, uma substância fabricada em laboratório que imita a ação da progesterona, o hormônio que o corpo da mulher produz naturalmente. No Brasil, ele é conhecido principalmente pelo nome comercial Provera, na forma de comprimidos, e como Depo-Provera, na forma de injeção.
É importante entender desde já: apesar de “imitar” a progesterona, o AMP não é bioidêntico. Isso significa que a molécula dele é diferente da progesterona humana, e essa diferença ajuda a explicar parte dos seus efeitos colaterais. Ele pertence a uma família mais antiga de progestagênios, muito usada a partir dos anos 1960, e por décadas foi o progestagênio mais prescrito na reposição hormonal.
Para que serve o acetato de medroxiprogesterona
O AMP tem indicações bem estabelecidas, tanto em ginecologia quanto na saúde da mulher em geral. Os comprimidos de Provera são usados principalmente para:
- Amenorreia secundária: ausência de menstruação por três meses ou mais em mulheres que já menstruavam.
- Sangramento uterino disfuncional: sangramentos irregulares, fora do período menstrual, sem causa orgânica.
- Reposição hormonal na menopausa: como complemento do estrogênio, para proteger o endométrio (a camada interna do útero).
- Deficiência de progesterona: em situações específicas avaliadas pelo ginecologista.
Na forma injetável (Depo-Provera), a substância é usada principalmente como anticoncepcional de longa duração, com aplicação a cada três meses. Vale destacar que o comprimido de Provera não tem efeito contraceptivo — são apresentações e finalidades diferentes, um ponto que confunde muita gente.
Como o AMP protege o endométrio na reposição hormonal
Na reposição hormonal, o papel do acetato de medroxiprogesterona é proteger o útero. Quando a mulher na menopausa toma estrogênio para aliviar sintomas como calor e ressecamento, esse estrogênio estimula o crescimento do endométrio. Se nada contrabalançar esse estímulo, a camada pode crescer demais — é a hiperplasia endometrial, que aumenta o risco de câncer de útero ao longo do tempo.
O progestagênio entra justamente para frear esse crescimento e manter o endométrio fino e seguro. Toda mulher que ainda tem útero e faz reposição hormonal com estrogênio precisa de um progestagênio associado — e, por muitos anos, o AMP foi esse progestagênio padrão. Para entender melhor a lógica geral de progesterona e seus substitutos, o texto sobre a diferença entre progesterona e progestagênio ajuda bastante.
Como usar e doses na menopausa
As doses do Provera dependem da condição tratada e devem sempre ser definidas pelo médico. Na terapia hormonal da menopausa, os esquemas mais comuns são:
- Contínuo: 2,5 a 5 mg por dia, todos os dias, junto com o estrogênio.
- Cíclico: 5 a 10 mg por dia, durante 10 a 14 dias a cada mês.
Para outras indicações, como amenorreia e sangramento disfuncional, costuma-se usar 2,5 a 10 mg por dia durante 5 a 10 dias, por alguns ciclos. O comprimido é tomado por via oral, sem partir nem mastigar, e o tempo de tratamento é individualizado. Nunca se deve dobrar a dose para compensar um comprimido esquecido.
Efeitos colaterais do acetato de medroxiprogesterona
Os efeitos colaterais são um dos motivos pelos quais o AMP perdeu espaço para progestagênios mais novos. Os mais relatados incluem:
- Dor de cabeça e tontura;
- Ganho de peso e retenção de líquidos (inchaço);
- Sangramento vaginal irregular ou ausência de menstruação;
- Sensibilidade ou dor nas mamas;
- Alterações de humor, incluindo sintomas depressivos em algumas mulheres;
- Acne, alterações na pele e nos pelos;
- Insônia e nervosismo;
- Piora do controle da glicose em pessoas predispostas.
Medroxiprogesterona engorda?
O AMP pode causar aumento de peso, em boa parte por retenção de líquidos e, em algumas mulheres, por aumento do apetite. Não é uma regra para todo mundo, e o efeito varia de pessoa para pessoa. Ainda assim, essa é uma das queixas mais frequentes com esse progestagênio — e um dos motivos pelos quais muitas mulheres preferem alternativas hoje. Ganho de peso importante ou rápido deve sempre ser avaliado pelo médico, porque pode ter outras causas.
Por que o acetato de medroxiprogesterona caiu em desuso
Aqui está o ponto central. Em 2002, um grande estudo americano chamado Women’s Health Initiative (WHI) avaliou milhares de mulheres na pós-menopausa que usavam estrogênio equino conjugado combinado com acetato de medroxiprogesterona. O braço com essa combinação foi interrompido antes do previsto porque os dados apontaram aumento no risco de câncer de mama e de eventos cardiovasculares, como AVC e trombose.
O impacto foi enorme: em alguns países, a prescrição de reposição hormonal caiu até 80% nos anos seguintes. Nascia ali boa parte do medo da reposição hormonal que persiste até hoje. O detalhe importante — e que os anos seguintes ajudaram a esclarecer — é que grande parte desse risco estava ligada justamente à combinação com o AMP e ao perfil das mulheres estudadas (muitas com mais de 60 anos e anos de menopausa). Reanálises posteriores mostraram que, quando a reposição é iniciada mais cedo e com progestagênios diferentes, o equilíbrio entre benefícios e riscos é bem mais favorável.
Por isso, na reposição hormonal atual, muitos médicos preferem progestagênios considerados mais neutros para a mama e para o coração, como a progesterona micronizada (Utrogestan), que é bioidêntica, e a didrogesterona (Duphaston). O AMP não foi proibido, mas deixou de ser a primeira escolha para essa finalidade específica. Vale lembrar que a própria terapia de reposição hormonal foi sendo “reabilitada” à medida que a ciência refinou quem se beneficia e com quais hormônios, como mostram reportagens de veículos como a National Geographic Brasil.
AMP x progesterona micronizada x didrogesterona
A tabela abaixo resume por que os progestagênios mais novos costumam ser preferidos hoje na reposição hormonal — sem deixar de reconhecer as vantagens do AMP:
| Critério | Acetato de medroxiprogesterona (Provera) | Progesterona micronizada (Utrogestan) | Didrogesterona (Duphaston) |
|---|---|---|---|
| Tipo | Progestagênio sintético mais antigo | Bioidêntica (igual à natural) | Sintética “próxima” da natural |
| Risco de mama na TRH | Foi o mais associado no WHI | Perfil considerado mais neutro | Perfil considerado favorável |
| Efeito no humor | Pode piorar em algumas | Costuma ser bem tolerada | Costuma ser bem tolerada |
| Efeito no sono | Neutro | Oral costuma dar sono | Não costuma dar sono |
| Custo/acesso | Baixo, disponível no SUS | Intermediário | Intermediário |
| Posição atual na TRH | Segunda linha | Muito usada | Muito usada |
O AMP ainda é usado hoje?
Sim, o acetato de medroxiprogesterona continua sendo um medicamento útil e não foi banido. Ele tem baixo custo, ampla disponibilidade (inclusive no SUS) e ainda é indicado para amenorreia, sangramentos disfuncionais e como contracepção injetável (Depo-Provera). O que mudou foi o seu lugar na reposição hormonal da menopausa: nesse contexto, ele deixou de ser a escolha automática e passou a dividir espaço com progestagênios de perfil considerado mais seguro para a mama e o coração.
Em outras palavras, “cair em desuso” não é o mesmo que “ser proibido”. É uma decisão individualizada: para muitas mulheres, existem opções melhores; para outras, o AMP ainda pode fazer sentido. Só o seu ginecologista, avaliando seu histórico e seus riscos, pode definir o melhor progestagênio para o seu caso.
Perguntas frequentes sobre o acetato de medroxiprogesterona
Para que serve o acetato de medroxiprogesterona?
Serve para tratar amenorreia (ausência de menstruação), sangramento uterino disfuncional e para compor a reposição hormonal da menopausa, protegendo o endométrio de quem toma estrogênio. Na forma injetável (Depo-Provera), é usado como anticoncepcional de longa duração.
Medroxiprogesterona engorda?
Pode causar ganho de peso, principalmente por retenção de líquidos e, em algumas mulheres, aumento do apetite. O efeito não é universal e varia bastante de pessoa para pessoa. Aumento de peso importante deve ser investigado pelo médico.
Por que a medroxiprogesterona caiu em desuso na reposição hormonal?
Porque o estudo WHI, de 2002, associou a combinação de estrogênio com AMP a maior risco de câncer de mama e de eventos cardiovasculares. Isso levou os médicos a preferirem progestagênios mais novos, como a progesterona micronizada e a didrogesterona, para a reposição hormonal.
Medroxiprogesterona é a mesma coisa que progesterona?
Não. A medroxiprogesterona é um progestagênio sintético que imita a progesterona, mas não é bioidêntica. A progesterona micronizada, por exemplo, é idêntica à natural do corpo; o AMP tem uma molécula diferente e efeitos colaterais próprios.
Qual a diferença entre Provera e Depo-Provera?
O Provera é o comprimido oral, usado para alterações menstruais e reposição hormonal, e não tem efeito anticoncepcional. O Depo-Provera é a injeção, aplicada a cada três meses, usada como método contraceptivo de longa duração.
A medroxiprogesterona aumenta o risco de câncer de mama?
No estudo WHI, a combinação de estrogênio com AMP foi associada a um pequeno aumento no risco de câncer de mama com uso prolongado. Esse risco depende de vários fatores individuais e do tempo de uso, e deve ser discutido com o médico. Não é o mesmo que dizer que qualquer uso causa câncer.
A medroxiprogesterona ainda é usada hoje?
Sim. Continua indicada para amenorreia, sangramentos disfuncionais e como contracepção injetável, e ainda é usada por baixo custo e fácil acesso. Na reposição hormonal, porém, deixou de ser a primeira escolha para muitas mulheres.

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