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O estradiol é o principal estrogênio do corpo da mulher e o hormônio central da reposição hormonal na menopausa: ele serve para aliviar fogachos, secura vaginal e outros sintomas causados pela queda de estrogênio, além de ajudar a prevenir a osteoporose. Pode ser usado por via oral (comprimido) ou transdérmica (gel ou adesivo na pele) — e a via transdérmica evita a primeira passagem pelo fígado, o que reduz o risco de trombose. O mesmo nome aparece também no resultado de um exame de sangue, que mede quanto desse hormônio o organismo está produzindo. Este guia explica o que é o estradiol, para que serve, a diferença entre as vias, as doses e como interpretar o exame. Por ser um tema de saúde, nada aqui substitui a avaliação do seu médico.

O que é o estradiol

O estradiol — abreviado como E2 — é o estrogênio mais potente e mais importante do corpo da mulher em idade fértil. Ele é produzido principalmente pelos ovários e, em quantidades menores, pela gordura, pelos ossos, pelo fígado e pelas glândulas adrenais. É esse hormônio que comanda boa parte do ciclo menstrual e mantém a saúde dos ossos, da pele, da mucosa vaginal e do sistema cardiovascular.

Existem três estrogênios principais no corpo: o estradiol (E2), dominante na fase reprodutiva; a estrona (E1), que se torna o estrogênio predominante depois da menopausa; e o estriol (E3), mais fraco, importante na gravidez. Quando se fala em “reposição de estrogênio”, na imensa maioria das vezes o hormônio em questão é o E2.

Na menopausa, os ovários param de produzir esse hormônio de forma consistente. Essa queda é a causa direta dos sintomas clássicos: ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, alterações de humor e sono, e a aceleração da perda óssea. Repor o estrogênio é, essencialmente, devolver ao corpo aquilo que ele deixou de fabricar.

Para que serve o estradiol na menopausa

Na reposição hormonal, o estradiol serve para tratar os sintomas causados pela deficiência de estrogênio e para prevenir algumas de suas consequências de longo prazo. As três indicações mais bem estabelecidas são:

  • Sintomas vasomotores (fogachos e suores noturnos): são a queixa mais comum, afetando 60% a 80% das mulheres na transição menopausal. A reposição reduz drasticamente a frequência e a intensidade das ondas de calor — é o tratamento mais eficaz que existe para esse sintoma.
  • Síndrome geniturinária da menopausa: secura vaginal, ardência, dor na relação sexual e sintomas urinários. O hormônio restaura a hidratação e a elasticidade da mucosa. Nesses casos, muitas vezes usa-se a apresentação em creme ou óvulo vaginal, em dose baixa e ação local.
  • Prevenção de osteoporose: o estrogênio freia a perda de massa óssea que se acelera após a menopausa, reduzindo o risco de fraturas. É um dos motivos pelos quais a reposição pode ser indicada mais cedo. Veja mais no nosso guia sobre osteoporose na menopausa.

O estradiol é a base da terapia de reposição hormonal. Quando a mulher ainda tem útero, porém, ele nunca é usado sozinho — como você verá adiante.

Estradiol oral ou transdérmico: qual a diferença

Essa é uma das decisões mais importantes da reposição, e ela muda o perfil de risco do tratamento. O estradiol transdérmico (gel ou adesivo) evita a primeira passagem pelo fígado, enquanto o oral (comprimido) é absorvido pelo intestino e processado pelo fígado antes de circular. Essa diferença tem consequências práticas.

Aspecto Oral (comprimido) Transdérmico (gel/adesivo)
Passagem pelo fígado Sim (primeira passagem hepática) Não
Risco de trombose (TEV) Maior Menor — preferido em risco cardiovascular
Efeito na pressão e coagulação Aumenta fatores hepáticos Efeito neutro
Perfil lipídico Pode alterar Praticamente não altera
Libido / testosterona livre Reduz mais (aumenta a SHBG) Interfere menos
Praticidade Comprimido diário Gel diário ou adesivo 1–2x/semana

Por causa desse perfil, as diretrizes atuais tendem a preferir a via transdérmica para mulheres com fatores de risco (enxaqueca com aura, hipertensão, histórico de trombose, tabagismo, sobrepeso) e para quem tem queixa de baixa libido. A via oral continua sendo uma opção válida e mais barata para muitas mulheres saudáveis. A escolha é individual e cabe ao médico.

As formas do estradiol na bula

Nas receitas e bulas, o hormônio aparece com nomes que confundem, mas são variações da mesma molécula:

  • Valerato de estradiol e estradiol micronizado: formas orais, em comprimidos.
  • Estradiol hemi-hidratado: comum em adesivos e géis.
  • Gel ou spray transdérmico: aplicado na pele todos os dias.
  • Apresentação vaginal (creme, óvulo, anel): ação local para a secura, com pouca absorção para o resto do corpo.

Todas repõem o mesmo hormônio bioidêntico ao que o ovário produzia. Se quiser entender melhor esse conceito, leia nosso artigo sobre hormônio bioidêntico.

Estradiol precisa de progesterona junto?

Sim, se você tem útero. O estrogênio estimula o crescimento do endométrio (a camada interna do útero). Usado isoladamente por quem tem útero, ele aumenta o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. Por isso, a mulher com útero precisa associar um progestagênio — como a progesterona micronizada (Utrogestan) ou outro — para proteger o endométrio. Essa é a lógica de toda a reposição combinada.

Mulheres que fizeram histerectomia (retiraram o útero) geralmente podem usar só o estrogênio, sem progestagênio, porque não há endométrio a proteger.

Doses de estradiol na menopausa

As doses variam conforme a via, a intensidade dos sintomas e a resposta individual. Como referência geral (sempre ajustada pelo médico):

  • Oral: valerato ou micronizado de 1 mg a 2 mg por dia.
  • Gel transdérmico: em torno de 0,5 mg a 1,5 mg por dia, conforme a apresentação.
  • Adesivo: libera de 25 a 100 microgramas por dia, trocado 1 a 2 vezes por semana.
  • Vaginal (local): dose baixa, para tratar apenas a secura e os sintomas geniturinários.

O princípio moderno é usar a menor dose eficaz que controla os sintomas, pelo tempo necessário, reavaliando periodicamente.

Exame de estradiol: valores de referência

O exame de estradiol mede a quantidade do hormônio no sangue por uma coleta simples. Ele é usado para avaliar a função dos ovários, investigar a fertilidade, confirmar o status menopausal e acompanhar alguns tratamentos. Os valores variam muito conforme a fase do ciclo e o laboratório, mas as faixas mais citadas são:

Fase Valor de referência aproximado
Fase folicular 27 a 161 pg/mL
Ovulação 49 a 291 pg/mL
Fase lútea 80 a 300 pg/mL
Menopausa menor que 40 pg/mL
Homem adulto 10 a 40 pg/mL

Um detalhe importante que os laboratórios raramente explicam: na menopausa, esse exame quase nunca é o que define a dose da reposição. A decisão é clínica, baseada nos sintomas. O número serve mais para confirmar a queda hormonal do que para “acertar a dose”.

Estradiol alto e estradiol baixo

O que os resultados fora da faixa costumam indicar:

  • Estradiol baixo: é o esperado na menopausa e reflete o fim da função dos ovários. Em mulheres jovens, pode indicar falência ovariana precoce, distúrbios da hipófise, síndrome de Turner ou efeito de medicamentos. Sintomas: secura vaginal, ondas de calor e queda da libido.
  • Estradiol alto (hiperestrogenismo): pode aparecer em cistos ovarianos, tumores produtores de estrogênio, uso de certos medicamentos ou obesidade (a gordura converte outros hormônios em estrogênio). Sintomas: menstruação irregular ou intensa, inchaço, sensibilidade nas mamas, oscilações de humor.

Qualquer resultado alterado deve ser interpretado por um médico junto com o quadro clínico — o número isolado não fecha diagnóstico.

Riscos e contraindicações

Como todo hormônio, o estradiol tem riscos que precisam ser pesados caso a caso. Os principais pontos de atenção são o risco de trombose venosa (maior na via oral) e o fato de a reposição não ser indicada para quem tem câncer de mama ou de endométrio, trombose ativa, doença hepática grave ou sangramento vaginal sem causa esclarecida. O risco de câncer de mama associado à reposição é pequeno e depende do tipo de progestagênio combinado e do tempo de uso — assunto que detalhamos nos artigos sobre reposição hormonal.

Iniciar a reposição perto do início da menopausa (a chamada “janela de oportunidade”) tende a oferecer o melhor equilíbrio entre benefício e risco. Por tudo isso, trata-se de um medicamento de prescrição, com acompanhamento médico regular.

Perguntas frequentes sobre o estradiol

Para que serve o estradiol?

O estradiol é o principal estrogênio da mulher. Serve para o desenvolvimento e o funcionamento do sistema reprodutivo e, como medicamento, para repor o estrogênio na menopausa — aliviando fogachos, secura vaginal e ajudando a prevenir a osteoporose.

Qual o valor normal de estradiol na menopausa?

Na menopausa, o resultado costuma ficar abaixo de 40 pg/mL, refletindo o fim da produção pelos ovários. Os valores exatos variam conforme o laboratório e devem ser interpretados por um médico.

O que significa estradiol baixo?

Na menopausa, o estradiol baixo é esperado e normal. Em mulheres jovens, pode indicar falência ovariana precoce, problemas na hipófise ou efeito de medicamentos, e merece investigação.

Estradiol engorda?

O hormônio em si não causa ganho de peso significativo. Algumas mulheres relatam retenção de líquido e inchaço no início do uso, o que costuma ser transitório. O ganho de peso na menopausa está mais ligado à queda hormonal e à perda de massa muscular do que à reposição.

É melhor estradiol oral ou transdérmico?

Depende do perfil de risco. A via transdérmica (gel/adesivo) evita a passagem pelo fígado e tem menor risco de trombose, sendo preferida em mulheres com fatores de risco cardiovascular. A via oral é uma opção válida e mais acessível para muitas mulheres saudáveis.

Quem toma estradiol precisa tomar progesterona junto?

Quem tem útero, sim: o hormônio precisa ser combinado a um progestagênio para proteger o endométrio. Quem retirou o útero geralmente usa apenas o estrogênio.

Se você está avaliando iniciar ou ajustar a reposição, converse com seu ginecologista ou endocrinologista. Fontes de autoridade como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (ABEM) reforçam que a escolha do hormônio, da via e da dose deve ser sempre individualizada.